Brasil entregará relatório técnico sobre tabagismo a Comissão Internacional da GATS até o fim de maio

Como é possível ao país que exporta mais tabaco no mundo ter um dos melhores programas de controle de tabagismo e cada vez menos fumantes (menos 40% em 19 anos)? Essa é uma das questões que o Relatório técnico do Brasil sobre uso do tabaco, que será entregue ao Comitê Internacional da Global Adult Tobacco Survey – GATS (Pesquisa Mundial de Tabagismo em Adultos) até o fim de maio, terá de responder.

O Brasil foi um dos 14 países escolhidos pela Organização Mundial da Saúde e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention – CDC) para realizar a GATS, visando à comparabilidade internacional de estatísticas sobre o uso do tabaco. Os outros países envolvidos foram Bangladesh, China, Egito, Federação Russa, Filipinas, Índia, México, Polônia, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai e Vietnam. O projeto tem o apoio da CDC Foundation, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg dos EUA e da Bloomberg Philantropies como seu principal financiador.

Na semana passada (de 12 a 16 de abril), o INCA reuniu técnicos de instituições envolvidas no controle do tabaco e representantes da CDC e Johns Hopkins em um workshop no Rio para produzir uma análise dos resultados obtidos na Pesquisa Especial de Tabagismo em Pessoas de 15 ou Mais Anos de Idade – Petab, realizada pelo IBGE em 51.011 domicílios brasileiros (leia mais). O objetivo foi avaliar os dados da Pesquisa, levando-se em consideração o conjunto de ações empreendidas no país para o controle do tabaco, os cenários específicos de cada região e a situação atual dessas ações nas macro-regiões geográficas.

O relatório brasileiro está sendo elaborado por especialistas do INCA, Secretaria de Vigilância à Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), IBGE, Fiocruz, Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), de acordo com a metodologia e o formato estabelecidos pelo Comitê Internacional da GATS. Os principais aspectos a serem contemplados são o uso dos produtos derivados do tabaco, as tentativas de cessação do hábito de fumar, a exposição à fumaça do tabaco, o acesso às campanhas de conscientização sobre os riscos do tabagismo e a percepção das pessoas sobre esses riscos, além dos aspectos relacionados à compra de cigarros industrializados

Para a técnica do Centro de Controle de Doenças e Prevenção para o GATS no Brasil, Sara Mirza, o relatório brasileiro será referência para outros países e a expectativa em torno de sua publicação é a maior possível. “Nas últimas duas décadas, o programa brasileiro de controle do tabaco avançou bastante. Queremos aprender com o Brasil, saber porque as estratégias adotadas aqui deram tão certo”, afirmou Mirza. O CDC ratificou seu apoio à elaboração do relatório brasileiro.

A gerente da Divisão de Epidemiologia do INCA e coordenadora da Oficina, Liz Maria de Almeida, anunciou que, além de servir ao relatório técnico da GATS, os dados analisados serão aproveitados para a produção de uma publicação no Brasil: “Nosso objetivo é elaborar um livro ilustrado em português, até o fim de 2010, para ser utilizado como referência pelos coordenadores estaduais do Programa Nacional de Controle do Tabaco,” explicou a epidemiologista.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde