Campanha contra o fumo gera mais lucro em empresa e é destaque no Jornal Nacional

A campanha interna contra o tabagismo, desenvolvida pela Arcelor Mittal (siderúrgica) em sua unidade em Serra, no Espírito Santo, surtiu duplo efeito. Além de ter diminuído drasticamente o número de fumantes entre seus funcionários para 5 entre 4.800 trabalhadores em 2010 (em 1995 a proporção era de 1 fumante para cada três funcionários), a empresa conseguiu aumentar também o nível de produtividade e os lucros. Foi o que mostrou a reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, exibida na segunda-feira, 26/4/2010.

De acordo com os empregados entrevistados, a campanha da Arcelor influiu positivamente na qualidade de vida e na disposição e concentração de praticamente todos os funcionários na linha de produção. A estratégia vitoriosa, que merece servir de modelo a outras empresas, inclui até terapia de grupo para os ex-fumantes durante o expediente.

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo de tabaco em ambientes de trabalho é considerado hoje um risco ocupacional, pois estende aos não fumantes que convivem com a poluição ambiental causada pela fumaça do tabaco nos seus ambientes de trabalho, os riscos de doenças graves e fatais bastante comuns entre os fumantes. Além disso, as graves doenças relacionadas ao consumo e manuseio do tabaco são responsáveis por aposentadorias precoces e um número elevado de faltas ao trabalho.

O Banco Mundial revela que o tabagismo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano, metade dela nos países em desenvolvimento. Este valor é o resultado da soma de vários fatores, como o tratamento das doenças relacionadas ao tabaco, mortes de cidadãos em idade produtiva, maior índice de aposentadorias precoces, aumento no índice de faltas ao trabalho e menor rendimento produtivo.

O consumo de tabaco impõe ao já sobrecarregado sistema de saúde doenças altamente evitáveis que poderiam não existir se as pessoas não fumassem. Segundo um estudo desenvolvido pela economista e doutora em saúde pública, Márcia Pinto, o fumo causa um prejuízo anual de, pelo menos, R$ 338,6 milhões ao SUS. Esse valor contabiliza apenas o que foi gasto em internações e em procedimentos de quimioterapia no tratamento de 32 patologias, como o câncer e doenças relacionadas aos aparelhos respiratório e circulatório em todos os hospitais da rede pública. Desse montante, os gastos referentes ao câncer correspondem a 33,85% e chegam a R$ 114,6 milhões.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde