Oficiais de agência dos EUA dizem que legalizar drogas não funciona

Para Alex Toth, diretor assistente do escritório brasileiro da DEA, e Patrick Stenkamp, chefe da agência para região, a liberação de entorpecentes é uma experiência fracassada e só causou problemas para quem buscou essa alternativa.

“Legalização é algo que, na minha opinião e na posição oficial da DEA, não funciona. Isso foi tentado em outros países e os gastos no sistema de saúde para atender às demandas que surgiram a partir da legalização foram astronômicos”, afirmou Toth. No Rio para participar da International Drug Enforcement Conference (Idec), a maior conferência mundial antidrogas, que terminou nesta quinta-feira (29), os dois oficiais negaram que haja qualquer divergência nas políticas antidrogas do Brasil e dos Estados Unidos.

Segundo eles, a tese de guerra às drogas, que pautou a política americana durante anos, foi superada. A atual diretriz da DEA é similar à defendida pelo diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, que estabelece uma corresponsabilidade entre os países produtores e consumidores. “A única solução é encarar o problema de forma global, com cada país assumindo responsabilidades e todo mundo trabalhando junto”, disse Toth. Stenkamp disse que nunca foi intenção da DEA colocar a culpa em países produtores.

“Apenas de 3% a 5% da heroína produzida no Afeganistão chegam às ruas americanas. Mesmo assim, mantemos mais de 64 agentes atuando lá. Sabemos que essa produção afeta o mundo inteiro.” Os oficiais ainda falaram sobre a explosão do consumo de crack no Brasil e como os EUA conseguiram diminuir os danos provocados pela droga. “Percebemos que estávamos perdendo uma geração inteira. Todo um segmento da nossa população”, ressaltou Toth, que disse que é preciso atacar o problema em três frentes: operações policiais, investimentos em educação e tratamento dos dependentes.
Fonte:Jornal Cruzeiro do Sul/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)