Policiais militares realizam ações de prevenção às drogas em aldeias indígenas

As crianças indígenas de Rio Tinto e Baía da Traição vêm sendo beneficiadas por ações de prevenção ao uso de entorpecentes. Policiais militares que atuam como voluntários no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) começaram a ministrar palestras sobre o assunto numa escola da região. Peças de teatro, leitura e atividade lúdicas que abordam o assunto foram inseridas entre as aulas da garotada.

De acordo com o coordenador do programa, major Jomário Fernandes, este é o segundo ano que essas cidades são contempladas com os trabalhos. “Apesar do Proerd existir desde 2000, esta é a segunda vez que os indígenas recebem as aulas. O motivo é que só agora conseguimos policial habilitado para atuar em Rio Tinto e Baía Traição”, afirma.

O major explica que as atividades do Proerd são realizadas por PMs que moram nas áreas próximas às escolas. “Adotamos essa prática porque os voluntários dão as palestras no dia de folga deles”, completa.

As visitas ocorrem duas vezes por semana. A atividade dos policiais é inserida entre os intervalos das aulas normais da escola. Com uma linguagem simples e usando algumas atividades lúdicas, como dança, música e teatro, eles tentam mostrar às crianças os malefícios que causam o consumo de drogas.

Trabalho em parceria

A iniciativa é vista com bons olhos pelo policial federal aposentado, Deusimar Guedes. Ele é o gestor do Programa Estadual de Combate às Drogas, lançado pelo Governo do Estado neste mês. Com a experiência de quem dedicou 25 anos de sua carreira à pesquisa sobre efeitos dos entorpecentes, ele conta que o resultado dessas ações só aparecem a longo prazo. “O combate precisa da sensibilização de todos: escola, família, governos e iniciativa privada. Só através da união é que será possível vencer essa batalha”, afirma.

Pesquisa realizada pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo), mostrou que um total de 2,5% dos alunos dos ensinos fundamental e médio de João Pessoa já experimentou o crack, pelo menos, uma vez na vida. O percentual é maior do que o registrado em São Paulo e Belo Horizonte, onde o índice ficou abaixo de 2%. Isso faz João Pessoa ocupar o primeiro lugar no ranking de capitais com o maior número de estudantes usuários de droga do Brasil.

Os entorpecentes representam o maior problema de saúde pública do mundo. Entre as drogas mais consumidas está o crack, considerado de alto poder destrutivo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos usuários se tornam dependentes. “Inicialmente, o crack ocupava apenas as periferias, mas, agora, está disseminada em todas as classes”, completa Deusimar.

Programa

Para mudar essa realidade, o Governo do Estado lançou o Programa de Combate às Drogas. Além de todos os órgãos públicos estaduais, a iniciativa tem o apoio de Ministério Público, empresas privadas, igrejas, universidades e membros da sociedade civil.

O programa prevê a criação de políticas para prevenir e tratar os dependentes, além de aumentar o rigor contra o tráfico. Professores e equipes de saúde serão treinados para identificar e ajudar o dependente químico ainda na fase inicial. Os cursos serão ministrados em parceria com agentes da Polícia Federal, igrejas e universidades. Além disso, serão criadas novas unidades de atendimento e tratamento dos usuários e serviços de assistência à família do paciente.
Autor: Da redação
OBID Fonte: Click PB