Uso da droga é cada vez mais precoce

“Com relação ao álcool, por exemplo, antes o uso começava em geral aos 14 anos, mas agora já se vê muitos casos entre os 11 e 13 anos. Quando falamos no crack, ele é mais devastador entre usuários de 12 anos que entre aqueles com 24 anos”, comentou Evaldo Melo. O psiquiatra destacou que atualmente pouco mais de 50% dos pacientes do Raid são dependentes do crack. “Há cinco anos, esse percentual não passava de 2%. O que mais me impressiona é a transição dos usuários com mais de 40 anos do mesclado (maconha com crack) para o crack”, destacou.

O crack é queimado e sua fumaça aspirada passa pelos alvéolos pulmonares. Via alvéolos, o crack cai na circulação e atinge o cérebro. No cérebro há os neurônios, células características do sistema nervoso que possuem um corpo central e inúmeros prolongamentos ramificados, os dendritos. Através deles, o estímulo é transmitido de um para outro neurônio. Entre eles existe um pequeno espaço livre, chamado sinapse, onde várias substâncias químicas são liberadas e absorvidas, entre elas a dopamina.

Quando surge o estímulo que dá prazer, a dopamina cai no interior da sinapse e penetra nos receptores do neurônio seguinte e transmite a sensação de prazer. A dopamina que sobra na sinapse é reabsorvida pelos receptores da membrana do neurônio que emitiu o sinal e a sensação de prazer desaparece. Quando a pessoa usa o crack, a droga entope os receptores que reabsorvem a dopamina, deixando-a por mais tempo na sinapse e perpetuando a sensação de prazer. A droga aumenta a pressão arterial.
Fonte:Diário de Pernambuco/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)