Gasto com internações por drogas cresce 387%

O gasto do município, nos primeiros quatro meses de 2010, com o tratamento de desintoxicação de dependentes de drogas chegou a R$ 152 mil, com 72 internações. Um aumento de 387%, em comparação ao mesmo período do ano passado, que teve 14 internações e demandou R$ 39,2 mil. Em 2009, a despesa total foi de R$ 120 mil.

Sem leitos de internação psiquiátrica nos hospitais de Canoas, a prefeitura promete firmar convênio com clínicas particulares para a aquisição de cerca de 30 vagas mensais. O edital deve ser publicado até o fim do mês.

Segundo a coordenadora de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Rosane Kern, devido à falta de leitos para essa área pelo Sistema Único de Saúde (SUS), das 22 internações mensais realizadas, o município compra 20 em instituições de saúde privadas. A aquisição é feita individualmente, o que aumenta o custo.

– Optamos pela compra de 30 leitos, pois o valor por tratamento pode vir a baixar – diz Rosane.

Embora a direção do Hospital Nossa Senhora das Graças (HSNG) informe que a instituição não tem estrutura para comportar a instalação de uma área para internações psiquiátricas, a coordenadora da SMS afirma que o município está em tratativas para que isso ocorra.

– é preciso ampliar as ações preventivas

Para o psiquiatra Manoel Garcia Júnior, professor da Faculdade de Medicina da Ulbra, os gastos com internações não seriam tão expressivos se houvesse mais ações preventivas, inibindo o uso de drogas como o crack. Garcia critica a reforma psiquiátrica que tornou o atendimento em saúde mental ainda mais crítico.

– A ideia é não abrir mais leitos em manicômios. No entanto, os hospitais evitam trabalhar com psiquiatria. O SUS paga pouco por essa estrutura – avalia o médico.

O fato de Canoas não ter nenhum leito psiquiátrico afeta diretamente o bolso dos familiares dos usuários. Moradora do bairro Mathias Velho, a mãe de um dependente de crack, que prefere não se identificar, há mais de 10 meses visita o filho internado em clínicas da região. A costureira de 50 anos perdeu as contas de quanto gastou em deslocamento. Junto com familiares de outros usuários, ela participa de um grupo de apoio no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps AD), no Centro.

Conforme a defensora pública de Canoas Bárbara Bernardes, assim como o filho dessa canoense, mais de 90% dos pedidos de internações judiciais estão relacionados ao crack. São, na maioria dos casos, adolescentes e jovens do sexo masculino. Conforme Bárbara, cerca de 40 pessoas recorrem à Defensoria, por mês, para buscar tratamento de desintoxicação. Com o deferimento do pedido pelo Poder Judiciário, o município é obrigado a cumprir a ordem judicial e garantir leito de internação.
Fonte:Zero Hora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)