Jovem que ficou um mês amarrado é internado

O adolescente de 17 anos que era mantido amarrado na cama pela irmã, em uma casa no bairro Novo Mundo, em Curitiba, foi encaminhado ontem para o Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, na capital. Matéria publicada na edição de ontem da Gazeta do Povo mostrou que o rapaz tem problemas mentais, causados pela inalação contínua do solvente thinner. Ele era mantido amarrado havia mais de um mês pela irmã de 19 anos, que está grávida. Ela temia fugas e surtos agressivos.

O Serviço Médico de Urgência (Samu) buscou o rapaz na noite de quarta-feira. Ele ficou até a manhã de ontem em observação na unidade de saúde do Fazendinha e à tarde foi encaminhado para o hospital. Segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, o diagnóstico feito no posto do Fazendinha apontou que o menino já sofria de um transtorno mental que foi agravado pelo uso contínuo de solvente desde os 12 anos.

A família alega ter tido dificuldades nos últimos 30 dias para receber o atendimento médico apropriado e o encaminhamento para internação. Já a assessoria da Secretaria da Saúde diz que a família se negou duas vezes a concordar com a internação porque insistia no envio do menino para a Clínica HJ, de União da Vitória, onde ele ficou durante seis meses no ano passado.

A solução veio na hora certa. Ontem à tarde, a família deixou o hospital onde o menino foi internado direto para a maternidade. A irmã estava sentindo as primeiras contrações. “Eu só espero que dê tudo certo e que meu irmão fique bem.”

O que fazer

A promotora da Criança e do Adolescente Luciana Linero explica que as unidades básicas de saúde de Curitiba são as responsáveis pelo primeiro atendimento de casos como esse. “Se não tiverem condições de fazer uma avaliação do paciente, têm de encaminhar para uma instituição da rede municipal que possa”, afirma.

Se a indicação para internação for feita, a unidade de saúde tem de informar a Central de Leitos. “Se não houver vagas, o que tem sido nosso principal problema no tratamento de dependentes químicos, o Ministério Público pode intervir”, diz Luciana Linero.

Em Curitiba há 445 leitos para internação psiquiátrica, em três instituições: Clínica Hélio Rotenberg, no Hauer; Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro; e Hospital Psiquiá­trico Nossa Senhora da Luz. A Central de Leitos da capital interage com outras na região metropolitana e outras cidades, podendo receber doentes de fora e vice-versa.
Autor:Gazeta do Povo – Fabiane Ziolla Menezes
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas