Drogas, perigo constante

Segundo pesquisas, os países gastam de 0,5% a 1,3% Produto Interno Bruto (PIB) em ações voltadas ao combate do uso de drogas. Estudo realizado no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, no Rio Grande do Sul, por exemplo, aponta que do total de mães acompanhadas, 4,6% disseram que usaram crack durante a gestação. O índice é bem superior ao de outros países, o que eleva a preocupação das autoridades.

Mas uma coisa é certa. A experiência com drogas na maioria das vezes não oferece a chance de voltar atrás. Vale destacar que a pessoa tem a oportunidade de escolher se vai entrar ou não neste mundo. Ninguém é obrigado a experimentar drogas. Só existem os viciados porque existem os traficantes, aquelas pessoas seduzidas pela possibilidade de ganhar dinheiro fácil às custas da desgraça dos outros.

A situação é tão crítica que mesmo quando um dependente químico se compromete a deixar o vício, ele passa a ser um eterno vigiado, desta vez pela família, para que não tenha uma recaída. Em Cuiabá são inúmeras famílias convivendo com essa triste situação. Adultos, jovens, adolescentes e até mesmo menores são seduzidos pela novidade, o verdadeiro barato que sai caro. Os alvos mais comuns são as pessoas menos favorecidas, mas não exclui classes mais abastadas.

Para se ter uma noção da gravidade do problema em Mato Grosso, segundo da Polícia Federal, cerca de 20% da cocaína apreendida no Brasil ocorreu no Estado, o que evidencia a necessidade de haver um policiamento mais ostensivo e também políticas públicas mais eficientes para combater este mal. O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, recentemente iniciou um estudo para implantar o Plano Nacional de Combate ao Uso de Drogas. Ainda não há nada definido, mas o objetivo já foi divulgado pelas autoridades e inclui o atendimento e acompanhamento de dependentes de álcool e outras drogas.

A estratégia é fortalecer o sistema de tratamento de dependentes considerados problemáticos, pessoas que já apresentam um perfil crônico de dependência da droga. Os alvos serão os Centros de Atendimento Psicossociais (Caps), além da capacitação e o treinamento de profissionais de saúde. A concepção do projeto é positiva, mas só saberemos dos resultados eficientes quando ele for colocado em prática. E é bom que seja em breve.
Fonte:A Gazeta Online/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)