Como a UFRGS vai ajudar a combater o crack no país

Nas dependências do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, um silencioso grupo de pesquisadores na área de drogas e álcool se tornou referência para o Brasil e a América Latina. Criado oficialmente em 2003, o Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (CPAD) vai assumir uma função estratégica no plano de combate à expansão ao crack lançado pelo governo federal, na semana passada.

Caberá ao centro parte da capacitação, mapeamento, avaliação e tratamento do Projeto de Ação Integrada do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack. Concebidas a partir de um pedido pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as políticas contra a disseminação da pedra constituem o mais amplo projeto de combate à droga já anunciado no país, com braços que vão da repressão ao tráfico ao tratamento de dependentes.

A mais ilustre colaboração gaúcha ao plano ficará a cargo da equipe do CPAD. Entre as ações comandadas pelo grupo, está a provável coordenação de seis centros, que funcionarão em diferentes regiões do país.

– Eles não se limitarão a tratar pacientes de crack. Como toda a droga, o crack vive uma epidemia e não sei se daqui a oito, 10 anos não iremos, por exemplo, ser obrigados a tratar uma epidemia de ecstasy. Os profissionais precisam estar capacitados em diferentes áreas – diz o psiquiatra Flavio Pechansky, coordenador do centro, que também se constitui num dos cinco escritórios de pesquisa do Center for Drug and Alcohol Studies da Universidade de Delaware (EUA).

Centro desenvolve parceria com EUA, Europa e Chile

Consultor da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas da Presidência da República, Pechansky revela que o projeto prevê ainda o geoprocessamento das instituições (busca-se verificar como as instituições de atendimento a drogados estão organizadas, se a população tem acesso a elas), capacitação de profissionais de saúde, criação de cursos e atuação nos hospitais.

Criado em 2003, o centro desenvolve projetos em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, vinculada à Presidência da República, além de projetos com centros americanos e da Espanha. Félix Kessler, vice-presidente do centro, presta assessoria a cientistas do Chile.
Fonte:Zero Hora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)