Dia Mundial tem mutirão de prognóstico na Rodoviária

“A pessoa tem que pensar bem antes de mexer com uma desgraça dessa”, disse Celso Antônio, referindo-se ao cigarro. Goiano de Ceres, Celso começou a fumar quando já estava em Brasília, aos 13 anos. “Era para fazer graça com os colegas de escola”, explicou o aposentado, que mora em Santa Maria. Depois de 39 anos fumando, ele atingiu a marca de 60 cigarros por dia.

Ontem, depois de receber a notícia que poderia ter câncer de boca, Celso resolveu definitivamente parar de fumar e jogou fora o maço de cigarros que estava no bolso da camisa. Ele e mais outras seis pessoas atendidas pelos dentistas da Secretária de Saúde durante ação de ontem foram encaminhados ao Hospital Regional da Asa Norte para ter a confirmação ou não da doença por meio de biópsia.

Mulheres
De acordo com o coordenador do programa de controle do tabagismo do Distrito Federal, Celso Antônio Rodrigues, o tabagismo está relacionado a mais de vinte doenças. Entre as mais conhecidas estão o infarto, a angina (caracterizada por uma forte dor no peito), o derrame cerebral, a bronquite, a asma e o câncer em diversos órgãos. “Só no olho o cigarro pode provocar glaucoma, catarata e degeneração macular, levando à cegueira”, complementa. Neste ano, o alvo da campanha do Instituto Nacional de Câncer (Inca) foi o público feminino. “Apesar de os homens fumarem mais, as meninas estão começando a fumar cada vez mais cedo”, afirmou Celso. Segundo ele, as mulheres têm mais facilidade para desenvolver a dependência à nicotina. “A menina que começar a fumar na adolescência têm 30 vezes mais chance de ter câncer do que a que não criar o vício. Além disso, ela tem grande chance de desenvolver osteoporose e menopausa precoces”, complementou Celso.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 2008, mostrou que o cigarro reponde por 40% das mortes de mulheres com menos de 65 anos. A sondagem apontou ainda que as mulheres fumantes gastam em média 12% de um salário mínimo (na época, o equivalente a R$ 415) com cigarro. A operadora de caixa Sandra Maria de Carvalho Barros, 32 anos, disse que tem vergonha de fumar desde os 14 anos. “Fico com medo de ficar fedendo. Mas não consigo parar de fumar. Mas ando me sentindo cansada à toa e tenho visto que depois de todos esses anos o cigarro só tem me atrapalhado”, relatou ela, que fuma em média 10 cigarros por dia.

Estima-se que 14,1% da população de Brasília é formada por fumantes. Desse total, cerca de 60% são homens e 40%, mulheres. Em 1998, o número era ainda mais desanimador: 39,8% dos brasilienses tinha o hábito de fumar. Os dados são do pneumologista e coordenador do Núcleo de Prevenção ao Tabagismo do DF, Celso Antônio Rodrigues. Apesar do décrescimo estatístico dos últimos anos, o tabagismo continua a fazer estragos na vida de muita gente. Por fumar demais, o aposentado Carlos Alberto Sá Guimarães, 52 anos, desenvolveu trombose e teve que amputar a perna direita. A doença também comprometeu o membro esquerdo. Carlos Alberto perdeu a sustentação e depende de uma cadeira de rodas para se locomover. Ontem, no Dia Mundial Sem Tabaco, ele recebeu o prognóstico de câncer de boca, durante um mutirão realizado pela Secretaria de Saúde na Rodoviária do Plano Piloto.
Autor: Mariana Sacramento
OBID Fonte: Correio Braziliense