Metade desiste de parar de fumar durante tratamento

Estatísticas são do Ambulatório de Combate ao Tabagismo do Mario Covas.

No Dia Mundial sem Tabaco, comemorado nesta segunda-feira, uma estatística desanimadora: metade dos pacientes que procura ajuda médica contra o tabagismo desiste do tratamento antes de conclui-lo. Os dados são do Ambulatório de Combate ao Tabagismo do Hospital Mario Covas, único especializado da região.

O coordenador do ambulatório, o pneumologista Adriano Guazzelli, explica que muitos fumantes ainda subestimam a dependência química provocada pela nicotina. Quando se deparam com as primeiras dificuldades em largar o cigarro, acabam abandonando a empreitada.

“A nicotina gera uma dependência química mais poderosa que a cocaína. Além disso, as restrições sociais ao cigarro são bem menores que as impostas a outras drogas. É preciso rever todos os hábitos para conseguir viver sem fumar”, avalia Guazzelli.

Buscar ajuda médica para parar de fumar chega a triplicar as chances de sucesso do paciente. Por isso, as vagas no ambulatório são bastante concorridas. A espera para inciar o tratamento, que dura cerca de um ano, chega a três meses. “Depois da lei antifumo, que entrou em vigor há pouco mais um ano, a procura pelo serviço cresceu 40%”, revela o pneumologista.

Desde 2004, mais de dois mil tabagistas passaram pelo ambulatório. Segundo Guazzelli, 60% dos pacientes são mulheres, a maioria com mais de 40 anos. “A adesão das mulheres a qualquer tratamento médico, em geral, é superior a dos homens, que tendem a ignorar os riscos.”

O tratamento inclui consulta com médicos especialistas, exames, terapia em grupo e prescrição de medicamentos, se necessário.
Fonte:Rede Bom Dia/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)