Arte que serve como um refúgio

O estudante canoense Venceslau Schneider de Oliveira, 38 anos, encontrou na pintura de quadros um refúgio para se afastar do crack.

Em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps AD) de Canoas, ele teve a ideia de criar uma oficina para ensinar técnicas de desenho e pintura para ajudar outros pacientes do local. No começo, há quatro meses, foi difícil, pois a mão trêmula o impedia de fazer traços finos e sinuosos. Com determinação, a dificuldade e a ansiedade foram diminuindo.

– Apesar de ter 38 anos, sinto-me com 17. Quero aproveitar cada momento da vida – conta.

A decisão pela mudança veio depois de seu último atendimento de emergência, em agosto, no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG). Na ocasião, ele foi levado por policiais que o viram perambulando pelas ruas, sem roupa. Foi no HNSG que ficou sabendo da existência do Caps. É para lá que ele vai todas as manhãs. De segunda a quarta-feira, ensina arte para outros usuários e, à tarde, cursa a 8ª série.

Morador do loteamento Central Park, no Mato Grande, Oliveira está há oito meses sem usar crack. Ele sempre se recorda dos amigos que morreram sem conseguir perceber a importância da vida. Como diz ter perdido a adolescência, suas melhores lembranças são da infância. O seu envolvimento com a arte surgiu quando estudava no Colégio Estadual Marechal Rondon. Nas aulas, ele mobilizava os colegas para realizar apresentações de teatro. Por isso, quando decidiu se recuperar, pensou em voltar a fazer alguma atividade prazerosa. A escolha não poderia ser melhor.

Saiba Mais:
Para participar das oficinas, é preciso estar em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps AD), que fica na Rua Araçá, 134, Centro. As oficinas de arte são realizadas de segunda a quarta-feira, pela manhã. Mais informações pelo fone (51)3472-8949.
OBID Fonte: Zero Hora