Abstinência e Solidão de bebês

Crianças nascidas de usuárias de crack são vítimas em potencial de problemas de saúde. Estão entre as com maior índice de nascimento prematuros. Nestes casos, a exposição às drogas pode ocorrer entre 30% e 50% dos recém-nascidos vivos. A observação é da médica Renata Gonçalves, pediatra e coordenadora da Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal do Hospital Dona Helena, em Joinville.

Um dos quadro mais delicados enfrentados pelos profissionais destas áreas, especialmente em hospitais da rede pública, é o bebê que apresenta síndrome de abstinência. O problema é mais intenso nos primeiros cinco dias de vida, mas pode se estender até a primeira quinzena.

Bebês nestas condições podem apresentar manifestações em vários sistemas do organismo. Alguns são bem visíveis: baixo peso, choro estridente característico e convulsões.

– A gente também encontra bebês depressivos. Isso ocorre por que a mãe, em via de regra, não acompanha a criança como deve ser: não faz o contato da pele, não pega no colo. São bebês tristes e irritados, que muitas vezes sequer respondem a um olhar – diz a médica.

Outros fatores são a dificuldade de sucção, diarreia, vômitos, febre, tremores, sudorese excessiva e palidez.

O vínculo mãe-filho costuma ser afetado
De imediato, os problemas neonatais relacionados ao crack são: sofrimento fetal, asfixia, prematuridade, baixo peso, diminuição do comprimento e do tamanho da cabeça e alterações do comportamento. Outros problemas no recém-nascido estão associados ao potencial risco de transmissão de doenças cuja incidência acaba sendo maior em usuárias de drogas, como sífilis e HIV.

Outra consequência do uso da droga é o abandono da criança, ainda na maternidade.

O consumo do crack, apesar de ter crescido entre todas as camadas, ainda está associado às de menor poder aquisitivo, como moradores de rua. Muitas mães com a dependência já chegam aos hospitais com registros em programas e serviços sociais, como conselhos tutelares e abordagem de rua. Uma avaliação social permite identificar se possuem ou não condições de permanecer com o filho. Quando isso não ocorre, o bebê já fica para a adoção.

Crianças têm problemas físicos e de raciocínio
A criança gerada nestas condições também pode demonstrar dificuldade de aprendizagem na linguagem, raciocínio, compreensão verbal e memória. O sofrimento físico também pode ser grande: estrabismo, hipertensão arterial, hipertonia muscular (aumento anormal do tônus muscular ou do tônus de um órgão). A prevalência de drogas ilícitas na gestação é difícil de determinar, porque as gestantes omitem essa informação.
Autor: Da redação
OBID Fonte: Diário Catarinense