Ex-viciados assumem o compromisso de livrar jovens do vício das drogas

Os adictos em recuperação sabem o sofrimento que é viver na dependência química e decidiram lutar contra esse mal.

Se a grande epidemia que o mundo sofre hoje é as drogas, não há como definir que esse é um problema do governo. E nem que a responsabilidade seja somente dele. Assumindo sua parcela de obrigação neste combate um grupo de capixabas decidiu agir em prol da luta contra as drogas.

O diferencial desse público: ser ex-usuário. Com base na experiência vivida, os adictos decidiram manter por meio de doações casas de recuperação com base em aconselhamento e, assim, servir de suporte para o dependente conseguir deixar o vício. É o caso do administrador de empresas Ledir da Silva Porto. Hoje profissional com atuação na área de segurança pública, Ledir traz em seu passado o registro de uma vida que ficou presa às drogas. Na adolescência viveu pelas ruas consumindo drogas e praticando delitos para manter o vício.

Hoje, recuperado, decidiu tomar a atitude de ajudar outras pessoas que como ele, no passado, tinha uma vida sem perspectiva de recuperação. “As drogas me levaram a uma situação degradante. Mas recebi apoio e deixei aquela vida para trás. Renasci como uma planta que é cortada. Dei a volta por cima e hoje posso contribuir muito mostrando para o jovem o meu exemplo, o que passei e a atitude que tomei de mudar”, fala Ledir Porto.

Ledir Porto tem se dedicado ao projeto que criou para tratamento de dependentes químicos – o “Horta de Vida – Vem Viver”. O projeto funciona em um sítio em Viana. Possui capacidade para alojar 18 pessoas, por um período de permanência de quatro meses. No local, os dependentes recebem orientação, atividades esportivas e ocupacionais.

“Temos grandes experiências com recuperação. Nosso desejo é que essas pessoas retomem suas vidas, sejam produtivas, trabalhem, vivam normalmente, sem vícios que os levem a boca da morte”, declarou.

Outro cidadão que renasceu para uma nova vida é Paulo Schultz. Hoje pai de família, ele usou drogas dos 26 aos 34 anos. Há dois anos livre do vício, ele decidiu abrir um projeto, que funciona em uma residência no bairro Vila Garrido, Vila Velha.

O Projeto Visão de Águia acolhe 15 homens. “A base do nosso trabalho é aconselhamento e apoio espiritual – foi isso que recebi e é isso que aplico para os internos”, disse Paulo.

O ex-presidiário Carlos Augusto Benedito usou drogas durante 15 anos. Depois de cumprir a pena, passou a se dedicar a Associação e Casa de Recuperação Vinde a Mim, que funciona no bairro Morro Novo, Cariacica. Em funcionamento há um ano, a Associação recebe até 20 pessoas de 18 a 65 anos. “Temos um índice de 15% de recuperação. Não é um trabalho fácil e requer força de vontade do dependente.
Por Redação Multimídia ES Hoje (redacao@eshoje.com.br).
Fonte:ES Hoje/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)