Rio de Janeiro anuncia nova clínica de recuperação de dependentes químicos

O drama de familiares dos usuários de crack no Rio pode estar com os dias contados. Dentro de um projeto que começa a mudar o foco do uso de drogas de questão de segurança pública para questão de saúde, o estado começa a preparar o antigo Hospital São Sebastião, no Caju, até então especializado em doenças infecciosas, para se transformar num hospital de referência no país no ao tratamento de dependentes químicos de 10 a 17 anos de idade.

O pontapé inicial foi dado na segunda-feira passada, quando os secretários José Mariano Beltrame (Segurança), Sérgio Cortes (Saúde) e Tereza Porto (Educação) visitaram a sede do antigo hospital – fechado desde o ano passado – e trocaram ideias comuns na batalha contra a dependência química.

A meta é integrar as três secretarias para ajudar na recuperação do usuário que busca a sua recuperação. O centro receberia crianças e adolescente dependentes de crack, e teria capacidade para atender cerca de 40 pacientes. Os custos e o início das obras ainda não foram definidos.

– As pessoas que usam drogas precisam de tratamento e é isso o que vamos dar – explicou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame – O uso de drogas é questão de saúde pública também. Não é mais só uma questão de segurança. O dependente químico é um doente, e doente precisa se tratar.

A ideia é aproveitar o fechamento do Credeq (Centro de Recuperação de Dependência Química), com atendimento agora limitado a menores infratores em situação de risco com problemas de drogas. O Credeq, antes de se transformar em órgão de apoio do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), era referência no tratamento da dependência química no Rio, pioneiro no Brasil. Ao ser transferido para o órgão da Justiça, deixou órfãos as pessoas que precisam de tratamento mas não têm como pagar clínicas particulares.

– O hospital vai ser todo remodelado para cuidar dos dependentes químicos – diz Beltrame.

A certeza de que as drogas se transformaram em questão de saúde pública cresceu com a pacificação nas favelas ocupadas pelas Unidades de Policiamento Pacificadoras.
Autor: André Balocco
OBID Fonte: Jornal do Brasil Online