11% dos homens de Marília são dependentes de álcool

Dependência atinge também 4% das mulheres; no total, 17 mil marilienses são vítimas.

Pesquisa realizada pela Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas) revela que ainda há muito o que avançar no combate ao alcoolismo. Entre a população adulta, 11% dos homens e 4% das mulheres são dependentes de álcool no país, segundo o último levantamento, de 2006.

O índice representa cerca de 12,3 mil homens e 4,7 mil mulheres viciados em bebida alcoólica em Marília, utilizando para base do cálculo estimativa populacional da Fundação Seade. A fundação projeta para 2010 população de 112,5 mil homens e 118,3 mil mulheres no município.

A relação com o álcool chegou cedo para um aposentado de 58 anos que preferiu não se identificar. Aos 16 anos ele bebia pinga com groselha e aos 24 a bebida já lhe causava problemas. “O alcoolismo é uma doença lenta, progressiva e fatal. Perdi o bom emprego que tinha e minha família devido à bebida”, relata.

Foram 12 anos numa rotina de melhoras e recaídas que culminavam em internações em hospitais psiquiátricos. “Numa das internações resolvi começar a frequentar o AA (Alcoólicos Anônimos) e há 17 anos estou sóbrio.”

Em 2010 o AA completa 75 anos de existência em todo o mundo. A organização está em 150 países. Em Marília são seis grupos. As reuniões são gratuitas e não é preciso fornecer nenhum dado para participar da sessão. “São trocas de experiências. Todos os relatos ficam nas reuniões e o anonimato é a peça-chave”, disse o coordenador de um dos grupos que prefere ficar no anonimato.

Internação é necessária em 5% dos casos
O alcoolismo, antes tido como vício, hoje é visto como doença crônica, segundo a psiquiatra e membro do conselho consultivo da Abead, Ana Cecília Marques. A especialista ressalta que em 5% dos casos a internação é a única forma de tratar a doença.

“Só isso evitaria possíveis sequelas ou até mesmo a morte do paciente devido a complicações.” É configurado alcoolismo quando o usuário aumenta a dose para obter o mesmo efeito, sofre com crises de abstinência, além de sentir os reflexos da bebida na vida pessoal e profissional.

De acordo com o diretor de educação e prevenção do Comen (Conselho Municipal de Entorpecentes), Wilson Damasceno, em Marília o tratamento disponível é deficitário, principalmente no que tange às internações. “Só dispomos de duas comunidades terapêuticas que têm número limitado de vagas e dependem, muitas vezes, de doações.” Além delas, o Hospital Espírita realiza internações que são feitas de forma particular, por ordem judicial ou via Central de Vagas. O Caps (Centro de Atenção Psicossocial) da Famema oferece apenas atendimento ambulatorial.
Fonte:Rede Bom Dia/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)