DF terá reforço nas blitzes em dia de jogo do Brasil

Para o brasileiro, cerveja e futebol têm tudo a ver. E, na primeira Copa do Mundo sob o rigor da lei seca, os moradores do Distrito Federal terão de encontrar alternativas para evitar a combinação de álcool e volante. Enquanto a Seleção Brasileira estiver na disputa, o Departamento de Trânsito (Detran) e o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTrans) prometem reforçar as operações álcool zero nas principais vias das cidades e nas proximidades dos bares e comércios. Funcionários serão remanejados para que as blitzes sejam incrementadas antes e depois das partidas de futebol. Os policiais militares também investirão na prevenção nos bares durante os jogos. A ideia é reduzir o número de acidentes causados pelo efeito do álcool ao volante e pela euforia ao longo da competição.

Segundo o chefe de Fiscalização do Detran, Silvain Fonseca, as blitzes da lei seca serão realizadas com maior frequência durante os dias de jogo do Brasil. Os agentes de trânsito trabalharão antes e depois das partidas, quando há maior probabilidade de acidentes e concentração de torcedores. “O problema não é só o motorista alcoolizado, mas também o pedestre e os ciclistas. Vamos ficar atentos para diminuir o número e a gravidade dos acidentes e autuar segundo a lei”, explicou. A semana de 19 de junho ainda ganhará um reforço graças ao aniversário de dois anos da entrada em vigor da Lei nº 11.705, que proibiu aos motoristas dirigirem depois de ingerir qualquer quantidade de álcool (leia O que diz a lei). Silvain sugere ainda que as pessoas evitem beber e circular nas ruas em horário de muito movimento. “O problema antes do jogo é a euforia e a ansiedade para chegar ao destino. E, depois, as comemorações. Ficaremos atentos a qualquer infração de trânsito”, finalizou.

O Batalhão de Trânsito da Polícia Militar terá mais 30 soldados para auxiliar o trabalho do Detran no jogo do próximo dia 15, entre Brasil e Coreia do Norte. “Alguns motoristas não têm a consciência do problema e exageram. Por mais que as pessoas assistam aos jogos em casa, algumas pegam o carro para comemorar a vitória do time no trânsito. Vamos tentar minimizar essa situação”, explicou o comandante do batalhão, tenente-coronel Josias Seabra. O grupo também realizará trabalho de prevenção: “A viatura passa ao lado dos bares, os policiais descem à paisana. Assim, mostramos aos torcedores que estamos ali. E que, se alguém beber e pegar o carro, o multaremos”. As blitzes serão feitas nas principais vias do Distrito Federal em locais e horários esporádicos, mas principalmente após os jogos. “A tendência é aumentar o efetivo ao longo da Copa”, garantiu Seabra.

Churrasco
O professor de educação física Hygor Nepomuceno Aguiar, 27 anos, está animado com a Copa do Mundo. Ele ajudou a enfeitar de verde e amarelo a rua onde mora, no Guará. E já combinou com o grupo de amigos para fazer churrascos e assistir às partidas nas casas de cada um. “São os amigos do Tocantins que estão morando aqui. Mas um mora na Asa Sul, um em Águas Claras e eu no Guará. O jeito é dormir na casa do amigo e voltar no outro dia. Não dá para enfrentar a blitz, porque a gente sempre acaba perdendo”, contou. Todas as alternativas são válidas para Hygor, só não vale deixar de fazer o churrasco e beber uma cerveja para comemorar o momento. Como ele tem um comércio, não terá o problema de enfrentar o trânsito logo depois do jogo para trabalhar. “Vou reduzir bastante as minhas idas à loja”, garantiu.

A estudante Helen Ramos, 23 anos, deverá assistir aos jogos em um bar ou na casa de amigos. A tática dela é passar a chave do carro para um amigo que não bebeu ou pegar um táxi. “Jogo combina com cervejinha e amigos, até porque aliviar aquela tensão toda não é fácil. Mas se eu estou meio alterada, procuro tomar um refrigerante ou uma água e dar um tempo para melhorar”, contou. Outras opções são ficar mais tempo na casa dos amigos antes de voltar para casa e escolher bares perto de casa.

» O que diz a lei
A Lei Federal nº11.705/08, chamada lei seca, alterou alguns pontos do Código de Trânsito Brasileiro. A norma fixou tolerância zero à combinação de álcool e volante, com punição rigorosa para quem dirigir sob o efeito do álcool. E passou a tratar como crime os casos em que o condutor está com alto nível de álcool no sangue. Para verificar o nível de alcoolismo do motorista, os agentes de trânsito podem realizar o teste do bafômetro, exame de sangue, auto de constatação ou ainda exame no Instituto de Medicina Legal (IML). No caso do bafômetro, se o teste acusar até 0,09 miligrama por litro expelido dos pulmões, o resultado é considerado negativo e o condutor, liberado. Se a concentração de álcool ficar entre 0,1mg e 0,29 miligrama de álcool, seguem as sanções administrativas: recolhimento da carteira de motorista, multa de R$ 957, retenção do veículo no depósito do Detran e abertura de processo administrativo que pode resultar na suspensão do direito de dirigir por um ano. A partir de 0,3mg/litro de ar, o condutor é levado à delegacia e, além das punições administrativas, responde pelo crime de dirigir alcoolizado.
Autor: Juliana Boechat
OBID Fonte: Correio Braziliense Web