Fomento ao vício em droga

Flanelinhas não admitem, mas maioria dos guardadores de carros nas ruas da Capital é usuária de entorpecentes.

Quando pagam um flanelinha para cuidar dos carros, as pessoas não estão dando dinheiro apenas para uma suposta segurança de seus veículos, mas, também, contribuindo para a manutenção do tráfico de drogas. Cerca de 60% dos 80 flanelinhas cadastrados pela Polícia Civil em Cuiabá durante a última semana se declararam usuários de entorpecentes. A informação é do delegado Silas Caldeira, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores.

Como tirar esses jovens das ruas e do vício parece ser um problema de difícil solução. A prova disso é a baixa adesão dos flanelinhas ao projeto Faixa Verde. Idealizado pela prefeitura de Cuiabá, em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas, um dos objetivos do projeto era oferecer uma oportunidade de trabalho regularizado para essas pessoas. No entanto, apenas um jovem se inscreveu.

O vício em drogas é, na avaliação da coordenadora do Faixa Verde Ana Maria Ribeiro Pedroso, um dos motivos pelo desinteresse dos flanelinhas em aderir ao projeto. “Claro que há outros fatores que acredito que contribuíram para a baixa procura dessas pessoas, como o fato de que teriam que trabalhar o dia inteiro e, talvez, receber até menos do que ganham na rua”, opina.

Na avaliação dela, uma parte do dinheiro que os guardadores ganham é usada para sustentar o vício, seja em droga ou álcool. Segundo ela, os flanelinhas foram procurados pelos representantes do projeto, mas apenas um deles demonstrou interesse. “O que é uma pena, porque quando o projeto foi criado, um dos objetivos era justamente tirar esses guardadores de carros das ruas”, lamenta-se.

Parte desses flanelinhas busca tratamento na Unidade III do Centro Integrado de Apoio Psicossocial Adauto Botelho, que oferece atendimento a homens com dependência química. “Não tenho o número exato, mas a procura por flanelinhas buscando atendimento existe sim”, diz o diretor da instituição, Leonardo Araújo Barbosa. Ele informou que a maiorias das pessoas que se internam no Ciaps são viciados em pasta-base de cocaína e crack.

A operação da polícia começou na semana passada e será retomada na semana que vem. O principal motivo para a polícia começar a fazer o cadastramento dos guardadores de carros foram as denúncias de roubos e furtos de veículos envolvendo os flanelinhas. “O objetivo da operação não é o combate às drogas, mas se encontrarmos entorpecentes com os flanelinhas, providências serão tomadas”, informa o delegado Caldeira.

No primeiro dia da operação, a polícia esteve nas avenidas Mato Grosso, Brasília (em frente ao shopping 3 Américas) e General Vale (em frente ao Hospital e Pronto-Socorro de Cuiabá). O cadastramento dos flanelinhas de todos os pontos da Capital e de Várzea Grande deve durar cerca de seis meses.

Na ação da polícia, os guardadores de carro são levados até a delegacia para que seus dados possam ser cadastrados. “Alguns desses jovens moram na rua e muitos não souberam nem precisar o nome da própria mãe”, acrescenta o diretor metropolitano da Polícia Civil Marcos Veloso.

Além disso, parte deles não tem documentos de identificação, o que dificulta o trabalho de cadastramento. Eles foram orientados por policiais sobre como obter esses documentos.

Uma das etapas da operação, segundo o delegado Silas Caldeira, será debater, juntamente com o Ministério Público Estadual e demais órgãos públicos, soluções para tirar os guardadores de carros das ruas. O objetivo é fazer com que essas pessoas possam ter uma profissão regulamentada.
Fonte:Diário de Cuiabá/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)