Quase um milhão de usuários

O Brasil tem uma grande aptidão para ocupar o topo do ranking dos indicadores estatísticos, seja pelas suas qualidades em alguns setores, seja nos chamados indicadores negativos, como violência ou tráfico de entorpecente, onde infelizmente se destaca como novo corredor do narcotráfico internacional.

O expressivo número de usuários, apontado pelo Relatório Mundial Sobre Drogas 2010, divulgado na semana passada, onde figuramos com quase um milhão de usuários, nos coloca numa incômoda posição de liderança mundial.

Muito se tem dito e pouco se tem feito com ações efetivas para combater essa incomoda realidade. Os programas de combate ao tráfico doméstico são ineficazes, a forma como o problema da dependência química é tratada também é ineficaz, e ainda por subestimarmos o poder destruidor da droga. Por tudo isso o número de usuários/dependentes é cada vez mais crescente.

Na verdade, é preciso uma união de esforços entre os poderes constituídos, seja nas esferas federal, estadual e municipal. Ações engendradas por apenas uma dessas esferas acaba resultando em fracasso, muitas vezes por falta de recursos financeiros, por falta de estrutura e de programas específicos. A bem da verdade, o combate ao narcotráfico precisa envolver toda a sociedade organizada, as famílias e o poder público, como um todo.

É preciso definir políticas públicas que aliadas à uma reforma na legislação referente à repressão ao tráfico de substância entorpecente, priorizem a assistência ao indivíduo/usuário, em primeiro lugar, através da recuperação do seu estado de saúde, tratando da dependência. E, posteriormente, através da responsabilização criminal, por se constituir num fomentador do tráfico de drogas. Sim, porque se não houver usuário, não houver quem compre, não haverá o tráfico. É preciso que as ações públicas deixem de ser paternalistas e promovam a devida responsabilização de cada um que se envolva, promova ou incentive o tráfico, independente de que posição ocupe no esquema criminoso, ou seja, traficante ou usuário. O que não se deve admitir é que o problema continue a ser subestimado enquanto o narcotráfico aniquila com a vida dos nossos jovens. Precisamos reagir e cobrar ações mais eficazes dos nossos governantes.
Fonte:A Tribuna Mato Grosso/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)