Uso de crack ganha espaço em classes altas

RIO – Os 214 atendimentos a dependentes químicos que a Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT) fez, de janeiro a maio deste ano, mostram que o crack se consolida como droga comum entre as classes mais altas da sociedade.

Desse total, segundo o psiquiatra Jorge Jaber, responsável pelo tratamento oferecido pela CCBT, 53% são das classes média e alta. O atendimento a usuários de crack na Câmara Comunitária aumentou 70% esse ano, conforme mostrou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO nesta segunda-feira.

O serviço gratuito funciona na Barra desde de 1993, em parceria com a Clínica Jorge Jaber, e foi ampliado há três anos, após uma reforma na sede da Câmara Comunitária.

Segundo o psiquiatra, a maior parte dos atendidos são moradores de Jacarepaguá.

– Tem crescido muito o número de pessoas das classes média e alta. Atendemos pessoas de todo o estado, e a grande maioria dessas pessoas é jovem e menor de idade – conta o médico.

Das 214 pessoas atendidas nos cinco primeiros meses deste ano, 83% eram usuários de crack, segundo Jaber. Alguns destes também afirmaram usar cocaína e álcool. Atualmente, a CCBT, em parceria com clínicas particulares, tem capacidade de internar 120 pessoas.

De acordo com o médico, se o usuário de crack fora menor de idade, o ideal é que fique internado por seis meses. Se já for adulto, é possível obter resultados positivos com dois meses de internação. O psiquiatra considera que o esforço não tem sido em vão. Segundo ele, o acompanhamento feito a pacientes em estado crítico – aqueles que são internados involuntariamente -, aponta que 66% conseguem se recuperar.
Fonte:O Globo/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)