Psiquiatra argentino defende que ação do crack no cérebro transforma humanos em animais

Droga seca veias de área do cérebro responsável por diferenciar homens de macacos

Ao ser fumado o crack atua em uma região do cérebro, de apenas 18 milímetros, mas que é a responsável por diferenciar os homens dos macacos. Essa é uma das teorias defendidas pelo psiquiatra Eduardo Kalina, diretor médico do Brain Center, em Buenos Aires, que está em Porto Alegre desde ontem para dividir a sua experiência com relação ao tratamento e o uso de drogas.

Durante o 1° Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, do qual participam conferencistas de Brasil, Argentina, México e Colômbia, ele disse que o crack dá ao usuário um sentimento de onipotência, de ter superpoderes.

– O crack atua em uma área responsável pelas noções de civilidade, provocando desinibição e liberando a fantasia. O usuário passa a agir como um zumbi, um chimpanzé. Por isso, os usuários matam por qualquer coisa e nem se dão conta do que estão fazendo, agem simplesmente. Não existe um prazo para isso acontecer. Pode ser no primeiro contato com a droga ou depois de algum tempo – explica.

Para que atinja todas as partes do corpo, os ingredientes tóxicos da droga são disparados pelo sistema nervoso simpático – que estimula ações que permitem ao organismo responder a situações de forma automática – e conduzidos pela corrente sanguínea até os órgãos, espalhando seus efeitos pelo organismo, de acordo com Kalina.

– O entorpecente faz com que esse sistema simpático estoure com o passar do tempo. As artérias se fecham e o coração tem de trabalhar mais, provocando microinfartos por todo o corpo. Em consequência, parte do cérebro, com o passar do tempo, fica atrofiada.

Mesmo com tamanho estrago provocado pela dependência química no organismo, o médico acredita no tratamento e cita o exemplo de Diego Maradona, técnico da Seleção Argentina, que conseguiu se livrar do uso das drogas:

– Por duas vezes o coração dele dilatou e perdeu a capacidade de se contrair em função do uso da droga. Mas, como é esportista, foi atendido rapidamente e, como ele mesmo diz, tem Deus ao seu lado, conseguiu se salvar. A maioria morre, pois a cocaína acelera a morte cerebral.

O 1° Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, que reúne desde quarta-feira, mais de 1,2 mil pessoas, encerra-se hoje com mais uma rodada de palestras e 16 oficinas, com cerca de 700 inscritos.
Autor:Kamila Almeida – Zero Hora
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas