Restrição de aditivos que melhoram sabor do cigarro, proposta pela OMS, poderá ser adotada no Brasil

Um dos temas mais polêmicos que serão deliberados durante a 4ª Conferência das Partes (COP4), da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), em novembro, no Uruguai, é a recomendação de que os países signatários da CQCT devem restringir ou proibir ingredientes que podem ser usados para melhorar o paladar dos cigarros e torná-los mais atraentes, como açúcares, substâncias saborizantes, temperos e ervas.

No Brasil, as marcas com sabores tem sido amplamente difundidas pelos fabricantes de cigarros. Entre as 190 marcas registradas em 2010 na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 33 têm sabores, entre eles menta, cereja, cravo, canela, baunilha, condimentado, cítrico e chocolate.

Pesquisa feita no Brasil entre 2002 e 2005 pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Universidade Johns Hopkins (EUA) mostrou que 44% dos estudantes brasileiros entre 13 e 15 anos que fumam regularmente preferem os cigarros aromatizados.

A iniciativa de restringir a adição de ingredientes é apontada por especialistas como excelente para prevenir a iniciação do tabagismo pelos jovens, já que essas substâncias servem para mascarar o sabor desagradável do tabaco. “A grande maioria das marcas de cigarros adiciona açúcar na composição. O aditivo ameniza o gosto ruim e mascara as substâncias tóxicas”, explica Cristina Perez, da Secretaria Executiva da Comissão Nacional de Implementação da Convenção-Quadro (Conicq). Segundo ela, quando o cigarro é aceso, o açúcar adicionado ao tabaco se transforma em acetaldeído – substância cancerígena que potencializa a dependência pela nicotina.

Exemplos de açúcares usados em cigarros incluem glicose, mel e sorbitol. Entre as substâncias saborizantes estão mentol, baunilha e benzaldeído. Outros tipos de ingredientes também são adicionados para criar a impressão de que os cigarros são menos prejudiciais à saúde, como vitaminas C e E, frutas, vegetais e aminoácidos.

Estados Unidos e Canadá foram os primeiros países a proibir o uso de aditivos nos produtos de tabaco. No Brasil, a questão vem sendo discutida pela Conicq, que prepara a posição do governo a ser apresentada na COP4.

A indústria do fumo, por sua vez, diz que a proibição de adição de açúcares invibializa o uso do tabaco chamado burley, que representa 14% da produção brasileira. Esse tabaco é seco ao ar livre, o que leva à evaporação dos açúcares naturais da folha. Daí, a necessidade de adicionar substâncias para produzir cigarros com melhor sabor.

Documentos internos da própria indústria do fumo demonstram que os fabricantes desenvolveram ingredientes para disfarçar o sabor forte e desagradável do tabaco e as características irritantes da fumaça, buscando facilitar a iniciação entre adolescentes.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde