O outro lado da erva

As consequências de uma legalização da maconha podem não ser tão positivas como muitos imaginam.

Com ares de novela mexicana que nunca chega ao fim, a questão sobre a legalização ou não da maconha voltou aos holofotes na última semana quando um grupo de neurocientistas representantes da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento divulgou uma manifestação em forma de carta em que se apresentam favoráveis à liberalização do uso da famosa erva, de forma medicinal e para consumo próprio. A carta apresenta a evolução nos estudos relacionados ao uso da maconha, aponta os benefícios que podem ser conquistados através de seu uso como no tratamento da doença de Parkinson, ansiedade e depressão e ressalta a política de tolerância já adotada em países como Espanha e Holanda.

Embora as afirmações reforcem os argumentos proclamados pelos grupos “pró-maconha” a Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas) também resolveu fazer sua manifestação, só que alertando para o equívoco e riscos que a legalização da Cannabis pode trazer à sociedade.

De acordo com o psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Assossiação, ” a maconha não é uma droga benigna. Não está isenta de riscos. Além da dependência, pode causar câncer na cabeça, pescoço e pulmão, e uma série de outras complicações”.

Os argumentos de quem se mostra intolerante à uma política de liberalização da erva vão além dos danos fisícos e psíquicos que ela causa ao organismo. A maconha é frequentemente apontada como o meio pelo qual um indíviduo é iserido no mundo das drogas. “Discutir a liberalização da maconha é ir na contramão das políticas essenciais e urgentes para a prevenção do uso de drogas”, afirma Salgado.

A maconha, assim como o álcool, prejudica a coordenação, se tornando um problema para os motoristas. Se existe a Lei Seca que proíbe o uso de álcool aos motoristas, seria necessário um controle dos usuários que resolvem dirigir “altos”, após o consumo da droga. O acesso livre à droga pode trazer um número maior de usuários, cada vez mais jovens e menos orientados, novamente como no caso das beibdas alcoólicas.

Há ainda as suposições de um aumento de crimes como assaltos e sequestros perante uma queda do rendimento do tráfico de drogas, contrariando muitos defensores da tese da queda da criminalidade com a legalização da maconha, e por fim as questões morais e religiosas que ainda tem grande peso na formação de opinião da população.

Em uma discussão que parece longe de ter uma decisão final por parte do Estado, a polêmica da legalização da maconha tem tudo para ser uma questão a ser vista (repetidas vezes) nos próximos debates eleitorais dos candidatos à presidência deste ano, mas é fato quem em meio aos fortes argumentos de grupos prós e contras, a velha porém pouco utilizada alternativa do plebiscito seja a resposta dos candidatos frente às camêras.
Fonte:Portal Pandora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)