Vícios agravam doenças

Cigarro e bebidas alcoólicas fazem com que os problemas tornem-se crônicos.

Excesso de bebida e fumo durante a velhice ainda são aceitos indevidamente por famílias e médicos e não recebem a atenção devida dos pesquisadores. Como consequência, agravam problemas crônicos nos idosos. O alerta foi feito pela enfermeira gerontologista Madeleine Naegle, professora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade de Nova York, durante o 17.º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia.

Em São Paulo, cerca de 9% da população idosa consome álcool em excesso, segundo estudo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre os idosos que nunca estudaram está o índice mais alto: 15,9%. No Brasil, pesquisas mostram que 12% dos idosos bebem pesado, 10,4% confessam ter problema com o binge drinking (em uma só ocasião tomar várias doses) e 3% são dependentes. “A prevalência de fumo caiu 35% no Brasil, mas não entre idosos”, destacou ainda a enfermeira.

“Só agora as pesquisas falam de dependência de álcool e cigarro entre os velhos. Os médicos não perguntam sobre dependência de drogas, condição que piora com o uso concomitante de diversos medicamentos pelo idoso”, afirmou Madeleine. “Às vezes as pessoas dizem que o cigarro ou a bebida são a única coisa que resta ao idoso, mas não é verdade”, complementa.

O maior risco desse consumo está nos efeitos do álcool no organismo: perda de massa muscular, prejuízos ao cérebro, hipertensão, comprometimento do fígado e um risco maior de interação negativa com os medicamentos. O álcool e o fumo, além disso, exacerbam as doenças crônicas mais comuns no idoso, como problemas no coração, diabete, artrite e câncer.

Ela defende que médicos sejam enfáticos na apresentação dos ganhos de qualidade de vida que ocorrem com o tratamento da dependência com medicamentos e psicoterapia. “Um ano ou 20 anos que restam podem ser anos de qualidade de vida.”

Para a psicóloga Sueli Freire, da Universidade Federal de Uberlândia, os hábitos adquiridos pelas pessoas durante a vida são essenciais para uma boa velhice. “É possível mudar, mas só se o indivíduo tiver uma razão forte para isso, se for convencido. Alguns pacientes dizem, brincando, que não se muda cachorro velho. Muda-se, sim. Basta um bom treinador.”

PLANOS DE SAÚDE

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou o índice máximo de reajuste para planos de assistência médica individuais anteriores à lei n.º 9 656/98. A decisão afeta cinco operadoras que têm termos de compromisso sobre cláusulas de reajuste. As seguradoras especializadas em saúde Sul América, Bradesco Saúde e Itaúseg Saúde poderão aplicar um índice de até 10,91%. As operadoras de medicina de grupo Amil e Golden Cross poderão reajustar seus contratos em até 7,30%.
Fonte:Gazeta Digital/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)