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Dependência química exige ambiente próprio para tratamento

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acaba de sancionar uma lei, proposta pelo vereador Celso Jatene, determinando que “os hospitais da Rede Municipal de Saúde deverão reservar em suas dependências alas específicas destinadas ao atendimento de dependentes químicos”.

Aparentemente é uma excelente notícia, considerando o déficit hospitalar para tratar esse tipo de transtorno. No entanto, o secretário municipal de saúde, Januário Montoni, explicou, segundo a Agência Estado, que as alas serão na verdade leitos e os dependentes químicos ficarão dispostos junto aos pacientes com outras doenças. Em suas palavras, “o leito de internação em saúde mental, mesmo de álcool e drogas, é um leito como qualquer outro, numa área do hospital como qualquer outra”.

Dessa maneira, com esse entendimento, infelizmente não vai dar certo.

Tratar dependentes químicos, principalmente de crack, em hospitais gerais é classificado por especialistas como uma “temeridade”. São pacientes que apresentam bruscas alterações de comportamento, não raro agressivo, e exigem ambiente próprio para o tratamento.

É necessário que o conceito de “alas” seja seguido para que a lei apresente resultados positivos. É fundamental criar espaços reservados, com equipe médica e recursos próprios para atender os dependentes. Apenas dessa maneira a lei será efetiva.

De acordo com a publicação da lei, o Poder Executivo tem ainda 120 dias para regulamentar sua aplicação. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) espera que esse ponto, fundamental, seja melhor avaliado.

É importante lembrar que, há anos, a ABP reivindica, sem retorno, a criação de unidades psiquiátricas em hospitais gerais. Diversos transtornos podem, e devem, receber tratamento nesse ambiente, que oferece múltiplos recursos e permite a integração dos pacientes, fator importante para o combate ao estigma. Mas, justamente no caso da dependência química esse procedimento não é indicado.

A ABP reconhece a boa iniciativa da cidade de São Paulo. É urgente investir em mais estrutura para o tratamento de dependentes químicos. Mas é fundamental seguir as indicações técnicas para alcançar o objetivo esperado.
Fonte:Floripa News/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)