PF apresenta projeto que monitora uso de drogas a partir do esgoto

Método pode identificar uso de cocaína por região e quantidade.
Assunto foi tema de reportagem do jornal ´Folha de S.Paulo´.

A Polícia Federal apresentou nesta sexta-feira (6) o projeto piloto “QuAnTox”, que pretende monitorar o consumo de drogas a partir das redes de esgoto das cidades. O objetivo é aperfeiçoar o combate ao tráfico no país.

O assunto foi revelado em reportagem publicada na edição desta sexta do jornal “Folha de S.Paulo”. De acordo com o texto, os primeiros testes, feitos neste ano na rede de esgoto do Distrito Federal, levaram a PF a calcular que o consumo de cocaína na Capital Federal é de duas toneladas por ano.

A pista deixada pelos usuários é uma substância química expelida na urina chamada Benzoilecgonina. Segundo a PF, é possível mensurar a quantidade de cocaína consumida de acordo com a quantidade da substância encontrada na rede de esgoto.

Responsável pelo projeto, o perito criminalista federal Adriano Maldaner disse que o projeto ainda está em fase de testes. “Precisamos ver se há viabilidade financeira. Esse projeto tem objetivo de servir de embasamento para a coleta de informações para o desenvolvimento de políticas de combate ao uso de drogas”, explica o perito.

“Esse projeto tem o objetivo maior de saber quanta droga é utilizada, quais regiões e cidades utilizam e quantificar o uso em quilos, doses e quilo por mil habitantes”, diz Maldaner. Segundo ele, isso é possível devido à coleta setorizada de esgoto nas cidades que dispõem do serviço.

De acordo com o perito, a análise do esgoto das cidades torna possível identificar até mesmo o consumo por quarteirão, dependendo do número de equipamentos instalados em uma região. Seis estações de tratamento de esgoto do DF foram utilizadas na coleta de matéria que foi analisada pela PF.

O projeto de monitorar redes de esgoto para identificar o uso de cocaína e drogas derivadas, como o crack, teve origem na Itália, em 2000. O desafio dos envolvidos na pesquisa é avaliar a viabilidade de implantação do método no Brasil.
Fonte:Do G1, em Brasília/UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas