Dependência química

No momento social em que vivemos, onde tudo “pode”, a relevância desse tema vem somente ajudar a nós multiplicadores, a melhor maneira de inserir essa problemática dentro dos temas transversais de maneira que os responsáveis e a sociedade tomem consciência e mudem atitudes para uma vida mais saudável.

O uso indevido de drogas pode causar uma doença crônica. Como outras adições, a dependência das substâncias (álcool e drogas) é o principal problema. É um hábito enraizado e socialmente aceito pela maioria das pessoas, o que dificulta o reconhecimento da doença.

Um dos primeiros sintomas, para piorar a situação, é a negação. Em alguns casos, existe um problema relacionado com o consumo de álcool, mas os sinais são mascarados por tentativas mais ou menos eficazes no sentido de manter os compromissos sociais e profissionais. A verdade é que o consumo abusivo de álcool e o alcoolismo constituem autênticos problemas de saúde pública, uma verdadeira epidemia, cujas repercussões se estendem às relações familiares, ao trabalho, material e financeiro e até à saúde física.

Como controlar? É necessário muitas vezes a internação em comunidades terapêuticas e/ou hospitais com acompanhamento médico, farmacológico, a terapia individual ou familiar e os grupos de autoajuda que formam uma abordagem multidisciplinar para que se possa dar resposta ao problema. A busca do saber faz a diferença. O conhecimento é que muda atitudes e valores. Aqui estamos em busca de algo que, aplicado na prática, fará a diferença no meio social onde vivemos: no nosso bairro, na nossa escola, na rede do SUS. Sou muito voltada à família e à escola e vejo que elas são a base de tudo, ambas precisam de alicerces para que nossas crianças de hoje, que serão jovens amanhã, não façam uso de drogas lícitas e ilícitas.

O papel da sociedade também é fundamental, principalmente no que tange ao “silêncio”. Quantos silenciam perante o tráfico, vendas de produtos ilícitos a crianças ou mesmo perante a omissão da polícia. Precisamos de pessoas com atitudes que possam mudar essa realidade. O combate às drogas precisa ser da sociedade como um todo e não apenas de multiplicadores ou de profissionais da saúde.

Cada dia mais aumenta o número de dependentes de substâncias lícitas e reduzem os recursos estatais para o tratamento e recuperação. Dessa forma, vejo como relevante o conhecimento para nos dar direção para buscarmos a prevenção. Passar conhecimentos, experiências para aquelas pessoas que necessitam de ajuda, orientação, apoio, enfim para todos. Que cada um de nós possa ter um papel mais atuante na sua comunidade. Precisamos aparelhar a sociedade civil, o poder público, tanto na área da saúde, da educação, entre outras para podermos lidar com esta pandemia, independentemente da classe social. Somente pelo conhecimento, pela ausência do preconceito e com a troca de experiências poderemos lidar melhor com esta situação.

As questões que envolvem o uso e abuso de substâncias psicoativas são de responsabilidade de todos os segmentos da sociedade, pois de uma forma direta ou indireta atingem nosso país e o mundo em sua totalidade. É de extrema importância fazer a discussão deste tema, pois a sociedade hoje está passando por um processo de banalização do uso de drogas, ou seja, o uso de drogas está se tornando uma coisa normal, principalmente dentro das comunidades menos informadas. Aí entra a grande importância da informação correta, de ajudar e orientar a comunidade a compreender esta temática e ajudar a minimizar na prática essa violência à vida humana.

Não podemos rotular pais que acompanham as amizades, comportamentos de seus filhos como chatos… Não somos chatos…somos atentos, observadores. As amizades muitas vezes levam a caminhos ruins que levam às drogas. Hoje os pais têm tantos afazeres que chegam em casa cansados e esquecem de observar os filhos ou de perguntar como foi seu dia.Tornam-se pais ausentes e é nesse momento que a droga pode chegar e prejudicar o jovem. Precisamos de pais presentes, atentos, uma comunidade inteira em busca de um mesmo objetivo. Acredito que não existe culpado pela doença e sim responsabilidade para com ela. Por isso o tratamento requer uma transformação comportamental.
Livane Marta Petry Rovedder/Assistente Social
Fonte:Gazeta do Sul/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)