A rapaziada e o cigarro

O cigarro sempre andou na mão da rapaziada. Em algumas épocas mais, em outras menos, o que fez prosperar em determinado tempo uma idéia-conceito, com toda aparência de moda, associada a um estilo de vida traduzido pela expressão geração-saúde, que já foi mais forte anos atrás.

Naquele momento, naquele intervalo de tempo de alguns anos, fumar saiu de moda, e parecia até a construção de um ambiente comportamental irreversível, que chegou acompanhado de medidas restritivas ao hábito de fumar. Os fumantes simplesmente foram varridos para fora dos recintos fechados.

Mas o cigarro sempre andou na mão da rapaziada, entre adolescentes e pré-jovens. Nos anos 60 e 70, fumar era sinal de rebeldia comportamental, e ser rebelde estava na moda, para identificar uma geração que queria mostrar que não concordava com tudo o que, ancestralmente, era passado de pai para filho.
Então fumar era uma marca visível dessa rebeldia.

Foi, seguramente, a época em que o cigarro atingiu ápices de popularidade e bom conceito. Depois vieram os anos de chumbo, em que a ideia e o valor da rebeldia foram deixados de lado e o que passou a valer mais foi a noção de saúde, tempo em que o cigarro passou a ser sistematicamente enxotado da convivência civilizada.

Mas a moda vai e volta. As formas de vestir são a maior evidência. As cores e acessórios da new wave dos anos 80 volta e meia dão o ar da graça nas roupas adolescentes, apenas que com outros retoques de estilo. Peças que deixaram de ser usadas nos anos 70 saem do armário e fazem sucesso apenas com um pouco de jeito na hora de usá-las.

Assim é que o Kzuka notou que os adolescentes estão fumando mais, de novo, nos colégios e em seus ambientes de convivência. Mas agora não é para indicar a santa rebeldia dos anos 60 e 70. É apenas para fazer algo diferente e mostrar que, sim, nós podemos, ao melhor estilo geração-Obama.

Então volta-se a fumar, que o conceito da obsessão pela saúde, em cartaz há quase duas décadas, talvez tenha desgastado um pouco. Afinal, o que importa é ser diferente, é inovar, termo sagrado da modernidade. Então fumar, entre adolescentes, é isso, talvez tenha aquele ar de inovação.

Palavras sagradas, no entanto, quando iremos nos convencer?, devem ser educação e conteúdo. O resto é modismo que, daqui a pouco, bate o vento e muda tudo outra vez.
Autor:Blog Ciro Fabres
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)