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Veto a plano antidrogas causa debate na Capital

O veto a um projeto para se criar um programa de combate ao crack e a outras drogas instalou uma polêmica em Porto Alegre. Autor da ideia, o vereador Aldacir Oliboni (PT) garante que a Capital está despreparada. De outro lado, o prefeito José Fortunati (PDT) rebate que a estrutura já existe, embora precise de melhorias.

Divulgado na semana passada, o veto de Fortunati provocou a contrariedade de Oliboni, presidente da Comissão de Saúde da Câmara. Aprovado em maio pelos vereadores, o projeto pretendia lançar o Programa Municipal de Enfrentamento ao Crack e a Outras Drogas. Basicamente, previa a formação de um fórum multidisciplinar para estabelecer políticas públicas, além de mais leitos e novas formas de tratamento.

– Os poucos leitos disponíveis apenas para desintoxicação dos usuários estão em descompasso atroz frente ao número crescente de dependentes químicos – alertou.

Os argumentos do vereador não convenceram Fortunati. O prefeito lembrou que a Capital já tem um plano, articulado pela Secretaria Municipal de Saúde e por setores de assistência social e de atendimento a crianças e adolescentes.

– Ele quer impor uma política que não foi discutida com a comunidade e a prefeitura. Não é o vereador que tira a melhor das ideias da cartola – ressaltou.

Fortunati admitiu que a estrutura municipal tem carências, por falta de recursos. Disse que a responsabilidade não é só da prefeitura, mas também do governo federal, do partido de Oliboni.

Especialistas procurados por Zero Hora preferiram não se manifestar, precavidos em não se meter numa disputa entre partidos. Um dos que aceitou falar foi o psiquiatra e psicanalista Sérgio de Paula Ramos, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus.

Paula Ramos acredita ter a receita para prevenir o crack e outras drogas: proibir o consumo de álcool entre menores de 18 anos. Disse que os adolescentes experimentam o álcool – a porta de entrada para os tóxicos – cada vez mais cedo. Atualmente, já aos 13 anos de idade.

– O poder público finge que não é o problema. E isso não vejo ninguém propor – opinou.
Fonte:Zero Hora/UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas