Droga, jovem e criminalidade

O consumo de drogas vem assumindo proporções preocupantes em todo o mundo, disseminando um costume que diz respeito seriamente à saúde pública.

O envolvimento de jovens como usuários ou dependentes das drogas —associado ao consumo de drogas socialmente permitidas, como fumo e álcool— tornou-se um desafio da maior grandeza para o Estado, que busca na repressão conter o comércio ilegal.

A legislação brasileira está de certa forma atada ao preconceito e à limitação de ações mais progressistas, raramente havendo disposição de discutir propostas como a descriminalização do uso ou mesmo programas sérios de redução de danos aos viciados. A sociedade sempre colocou na mesma perspectiva o usuário, o viciado e o traficante como partes equivalentes de um grave problema social.

Por conseqüência, cadeias e presídios, por anos, abrigaram igualmente pessoas que se envolveram em diferentes níveis com o mundo das drogas, muitas vezes gerando mais problemas que soluções. Jovens usuários de primeira experiência dividiram celas com traficantes, estabelecendo vínculos perigosos e comprometedores.

O enfrentamento do problema passou a ter uma nova concepção com a sanção da lei que atribui pena alternativa para o porte de drogas, estabelecendo clara diferença entre usuários, dependentes, traficantes e financiadores. Os primeiros não estão mais sujeitos à prisão e deverão ser encaminhados para trabalhos comunitários socioeducativos e, a critério do juiz, tratamento especializado. Aos demais, a força da lei torna-se mais rigorosa.

Com essa nova cultura, o Estado estabeleceu um novo critério aprovado por especialistas, dando tratamento diferenciado a pessoas com problemas diferentes.

Se a medida é bem-vinda por restaurar sanções justas na medida do envolvimento pessoal de drogaditos, cria também um lapso preocupante. O Estado não pode ignorar o drama das famílias obrigadas a lidar com o problema em suas casas, com seus filhos e familiares. A falta de programas de saúde pública voltados à prevenção, tratamento e orientação aos consumidores de drogas deixa um vácuo que vai exigir atenção, sob o risco de se criar uma geração ininputável, porém gravemente afetada no seu discernimento, carente de atendimento especializado inacessível a grande parte da população.

Se o Estado não ocupar essa lacuna no trato do problema das drogas, os traficantes o farão com prazer.
Fonte:Gazeta de Ribeirão/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)