INCA entrega relatório final da Pesquisa Especial de Tabagismo a representante da OMS

O INCA entregou hoje, 30/08, o relatório final da Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab) ao representante da Organização Mundial e Pan-americana da Saúde (OMS e OPAS, respectivamente) no Brasil, Alfonso Tenório. A cerimônia marcou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto. Tenório recebeu o relatório das mãos do diretor-geral do Instituto, Luiz Antonio Santini.

A PETab foi realizada em 2008 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, através do INCA, Secretaria de Vigilância Sanitária, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Fundação Oswaldo Cruz, OMS, OPAS, Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Escola de Saúde Pública Johns Hopkins e Fundação Bloomberg.

A gerente da Divisão de Epidemiologia do INCA, Liz Maria de Almeida, apresentou os principais resultados da pesquisa e explicou que o objetivo da coleta de informações é avaliar o impacto das ações de controle do tabaco no país e subsidiar novas iniciativas com o mesmo propósito.

De acordo com os resultados da PETab, o total de fumantes correspondeu a 17,2% da população acima de 15 anos. Os percentuais de fumantes foram maiores entre os homens (21,6%), entre as pessoas de 45 a 64 anos de idade (22,7%), entre os moradores da região Sul (19,0%), os que viviam na área rural (20,4%), os menos escolarizados (25,7% entre os sem instrução ou com menos de um ano de estudo) e os de menor renda (23,1%) entre os sem rendimento ou com menos de um quarto de salário mínimo).

Um dos pontos destacados pela epidemiologista foi a constatação de que no Norte e no Nordeste há um percentual significativo de fumantes adeptos do cigarro enrolado à mão. “Como fazer para atingir esse grupo de fumantes? O cigarro que eles consomem não vem com advertência sanitária nem com o número do Disque Saúde, já que não são industrializados”, observou.

Em relação à exposição ao fumo passivo, surpreendeu à médica o fato de 4% dos entrevistados terem declarado terem sido expostos à fumaça de tabaco em unidades de saúde. “Esse índice tem que ser zero”, afirmou, apontando que é preciso reforçar a capacitação dos profissionais de saúde não só para que eles não fumem no local de trabalho, mas para elevar o índice daqueles que aconselham seus pacientes a deixarem de fumar: segundo a pesquisa, 57%.

A secretária da Comissão Interministerial para Implementação da Convenção-Quadro no Brasil, Tânia Cavalcante, disse que as próximas etapas da Política Nacional de Controle do Tabaco serão orientadas pela PETab, que tem periodicidade prevista a cada cinco anos.

Tânia abordou as perspectivas, desafios e oportunidades para a implementação da Convenção-quadro no país, que enfrenta um forte lobby da indústria fumagueira. “Um dos próximos desafios é proibir a propaganda de cigarro nos pontos de venda”, anunciou, reconhecendo que a missão será das mais difíceis, devido à influência econômica da indústria. “O Brasil é o segundo maior produtor e o principal exportador de tabaco”, comentou.

Por isso, oferecer alternativas viáveis para os pequenos produtores é um das preocupações da Política Nacional de Controle do Tabaco. “A indústria explora os pequenos produtores, que estão expostos a doenças devido ao contato constante com a folha de fumo”, disse.

Entre as ações que foram implementadas com sucesso no Brasil para diminuir a oferta e a demanda pelo tabaco estão a proibição da propaganda fora dos pontos de venda, o aumento de impostos sobre os produtos de tabaco, o aumento da oferta de tratamento para deixar de fumar no SUS, a aprovação de leis estaduais proibindo o fumo em lugares fechados de uso coletivo – enquanto aguarda-se a aprovação de lei federal com o mesmo propósito.

Participaram da cerimônia representantes do IBGE, da Anvisa, da SVS, da Fundação Bloomberg e do CDC.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde