Drogas e cigarro potencializam o risco de doenças cardiovasculares em até 50% nos jovens

O tabagismo chega a 92% em alguns estudos que avaliaram o infarto agudo do miocárdio em jovens. Aumento da prevalência de outros fatores de risco, como a obesidade, também potencializa risco de infarto na faixa-etária até 50 anos.

O aumento do consumo de drogas é um dos grandes responsáveis pelo crescimento no número de infarto entre jovens no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 25% das vítimas de ataque cardíaco com idade até 50 anos são usuárias de cocaína e a estimativa é que esse índice seja semelhante no Brasil.

O aumento no consumo de drogas como cocaína e anfetamina, associado ao grande número de fumantes e obesos nessa faixa-etária, provocou uma explosão nos óbitos por infarto agudo do miocárdio em pessoas com até 50 anos. “Precisamos estar muito bem preparados para atender esse público. Remédios para combater a hipertensão, por exemplo, utilizados por pacientes comuns não podem ser ministrados para quem consome drogas”, explica o cardiologista Rui Ramos. Ele acrescenta que o betabloqueador – utilizado no pós-infarto, ou no tratamento de angina, arritmias e certas formas de tremores – também são proibidos para quem é usuário de drogas.

Segundo Dr. Ramos, nos Estados Unidos está crescendo o consumo de anfetaminas, como o ecstasy. “Assim como a cocaína, esse tipo de droga ilícita aumenta de 40 a 50% o risco da pessoa desenvolver problemas nas coronárias, principalmente a aterosclerose – que é o endurecimento ou obstrução da artéria. A consequência é, na maioria das vezes, o infarto”, completa.

O quadro é ainda mais grave quando o paciente possui familiares em primeiro grau com aterosclerose precoce. “Alguns estudos revelam que 92% dos jovens que sofrem infarto são tabagistas. Cerca de 40% deles possuem familiares em primeiro grau com aterosclerose precoce e 65% apresentaram distúrbios da glicose”, revela Dr. Ramos.

E o especialista lembra que o vício em geral, como o álcool e o tabaco, é um veneno adicional para o coração. O álcool potencializa três vezes o efeito maléfico da cocaína. Já o tabaco eleva o risco de infarto em 300%. “O jovem acha que é imortal e quando percebe o dano que causou a própria vida, muitas vezes é tarde demais. Temos que ser duros e realistas na conversa com eles e colocar que o tabaco e as drogas ilícitas causam inúmeros problemas, inclusive a disfunção erétil”, explica o cardiologista que fez inúmeras palestras em escolas públicas. “Eles ficam surpresos com essa informação, que tem grande impacto”.
Fonte:Revista Vigor/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)