Crack é porta de entrada para crime

Como acontece com a maioria das drogas, o crack serve como porta de entrada para o envolvimento de viciados em crimes, geralmente, de menor potencial ofensivo como furtos, por exemplo, e até roubos tendo como principais alvos celulares e carteiras de pedestres que são surpreendidos pelos usuários sob efeito da droga.

Tudo é válido para sustentar o vício e continuar a consumir as pedras de crack – droga elaborada com as impurezas da cocaína e um dos mais baratos e vorazes entorpecentes de que se tem notícia.

Para o comandante da Polícia Militar na região, coronel José Luis Martins Navarro, a questão é mais de saúde pública do que de responsabilidade da segurança pública. “Nosso papel principal é evitar que os usuários de drogas, entre eles os de crack, cometam crimes como furtos e roubos. Por isso, levamos a pessoa até a delegacia onde o fato é registrado, porém, como consumir droga não é crime, geralmente, o viciado volta logo às ruas e retorna ao mesmo local onde foi detido anteriormente”, afirma.

Navarro defende a necessidade de acompanhamento médico e tratamento aos viciados depois de apresentados na delegacia, mas aponta a grande dificuldade para avançar na busca pela solução do problema. “A polícia e nem ninguém tem como obrigar o viciado a se internar para passar por tratamento. O máximo que podemos fazer é pedir o auxílio da família e tentar convencer a pessoa de que, só assim, ela poderá sair dessa situação. Porém, dificilmente isso acontece”, reconhece o coronel.

A falta de leis que obriguem o encaminhamento dos viciados para clínicas de tratamento de dependência colocam estas pessoas novamente nas ruas em situações degradantes em que chegam, até, a vender as próprias roupas e cometer furtos e roubos mesmo dentro de casa. “Se o judiciário pudesse determinar que as pessoas viciadas em drogas, como o crack, devessem ser obrigadas a passar por tratamento, seria um passo importante para melhorar o que estamos vendo” pontua Navarro.

De acordo com o comandante da PM, a abordagem aos usuários de drogas acontece da mesma forma que os traficantes são parados pela polícia. “A gente não sabe se aquela pessoa é viciada ou traficante. É seguido o procedimento normal e, às vezes, durante a abordagem, chegam denúncias onde aquele indivíduo, aparentemente um usuário, guarda o restante da droga para vender e, assim, tenta enganar a polícia.”

Droga é tema do 4º Desafio de Redação
Apontado como problema social e de saúde pública, o crack será tema do 4º Desafio de Redação promovido pelo Diário do Grande ABC com correalização da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e DAE (Departamento de Água e Esgoto) e apoio da Ecovias. Alunos dos ensinos Fundamental e Médio de escolas públicas e privadas terão pela frente o tema Crack, Tô Fora!

As redações começam a ser produzidas a partir do dia 15. Um dos objetivos é provocar a discussão do assunto entre os estudantes, professores e famíliares diante de uma das drogas mais potentes e com enorme poder de provocar vício, mesmo quando usada pela primeira vez.

Outra meta é conscientizar sobre os perigos do crack e despertar nesses alunos o senso crítico para cobrar das autoridades providências para conter o crescimento do problema.

Por isso, a expectativa é atingir a marca recorde de 180 mil textos. As melhores redações serão premiadas com computadores, televisores e bicicletas, sendo o prêmio máximo uma bolsa de estudos integral na USCS.

Podem participar alunos de 5ª a 9ª séries do Ensino Fundamental, inclusive EJA, e da 1ª a 3ª série do Ensino Médio, cursos normais, técnicos e EJA de escolas municipais, estaduais e particulares do Grande ABC, além de Telesalas.
Fonte:Diário do Grande ABC/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)