Maioria dos dependentes são homens e solteiros

Homens solteiros, entre 30 e 34 anos, usuários de drogas como álcool, cocaína e crack há pelo menos três anos, de classe social baixa, católicos e com ensino fundamental concluído.

Este é o perfil predominante entre as 4.281 pessoas que passaram pelas sete casas de tratamento de dependência química de Maringá em 2009. O relatório foi divulgado na tarde de sexta-feira (10) pela Diretoria Antidrogas da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Sasc).

O diretor do Programa Antidrogas da prefeitura, Manuel Abreu Fernandes da Costa, diz que o perfil foi montado com base em dependentes químicos que buscaram ajuda em uma das sete comunidades terapêuticas da cidade.

“Infelizmente, não temos a realidade do jovem que usa drogas porque ele está em uma fase que demora a pedir socorro. Quando a família percebe, tenta encobri-lo da sociedade e leva para se tratar fora de Maringá”, diz.

Exemplo disso é que a Associação Maringaense de Apoio e Reintegração de Adolescentes (Amaras), uma das principais referências no tratamento de meninos de 12 a 18 anos incompletos, dispõe de 25 vagas, mas atualmente apenas 11 estão ocupadas.

Trabalho social

O crack, um derivado da cocaína, apesar de não liderar a estatística de consumo entre os internados em Maringá, é a droga que mais preocupa, conforme Costa. “O crack tem um poder de viciar muito rapidamente e leva à dependência de cigarro e álcool ao mesmo tempo.”

Ele ressalta que as drogas batem em todas as portas, independente de religião, classe social, idade, sexo e raça. “A única forma de combater a dependência química é com um trabalho social forte, por meio de ações esportivas e educacionais, palestras e muita dedicação.”

Costa afirma que técnicos da área têm se capacitado para trabalhos condizentes com a realidade do crack. “É uma droga que vicia rapidamente e exige nossa atenção”, afirma.

Para Costa, a atuação das polícias Civil e Militar também tem ajudado a retirar drogados dos pontos de venda e consumo, além de prender mais acusados de tráfico de entorpecentes. “Enquanto tivemos 275 suspeitos detidos de janeiro a julho de 2009, no mesmo período deste ano já foram 417 casos”, revela.

Outro aspecto na prevenção às drogas é a religiosidade, que Costa considera imprescindível. A religião também é uma grande aliada na recuperação do dependente.

“É inclusive preconizada pela Secretaria Nacional de Política Sobre Drogas. Apesar de não fazer disso uma obrigação, sabemos que é essencial que os dependentes em tratamento se apeguem a um ser superior e não só a pessoas físicas. Normalmente os programas terapêuticos incentivam a questão espiritual.”
Fonte:O Diário.com/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)