Plano Federal contra o crack

Plano federal contra o crack investirá em leitos Intenção do governo é unificar ações da União de contenção à epidemia.

O programa federal de combate ao crack, previsto para ser anunciado nos próximos dias, deverá concentrar esforços na melhoria da estrutura de atendimento ao usuário. O plano contra a droga, em fase final de elaboração, incluirá investimentos na rede de leitos hospitalares, vagas em comunidades terapêuticas e novos Centros de Atenção Psicossocial.

Por encomenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sete ministérios estão definindo os últimos detalhes do programa nacional de combate ao impacto devastador do crack no país. A intenção do governo é unificar as ações federais de contenção à epidemia que já atinge mais de 1 milhão de brasileiros, conforme estimativas. As medidas deverão incluir desde a repressão ao tráfico até o tratamento do dependente químico, e o Ministério da Saúde concentrará a maior parte das políticas de assistência.

Como o próprio presidente Lula pretende fazer o lançamento oficial do programa, os ministérios envolvidos evitam antecipar o conteúdo das propostas, números ou valores exatos.

Uma fonte próxima dos técnicos do governo, porém, indica que a pasta da Saúde pretende investir principalmente na ampliação da rede de leitos para usuários de crack nas redes pública e privada. A ofensiva contra a pedra também deverá envolver a criação de novas vagas para desintoxicação emergencial em hospitais e em comunidades terapêuticas.

O governo estuda comprar vagas em comunidades de tratamento, mas exigirá que as instituições disponham de equipes médicas multidisciplinares. O ministro José Gomes Temporão também deseja construir novas unidades 24 horas dos Centros de Atenção Psicossocial e casas de passagem onde os usuários possam permanecer internados por alguns dias depois do processo de desintoxicação em uma instituição hospitalar.

Comunidades terapêuticas podem ter regras mais rígidas

Essas medidas começaram a ser alinhavadas ainda na primeira reunião realizada pelo governo federal com especialistas de diversas regiões do país, há algumas semanas, para delimitar as ações do programa. Um dos participantes do encontro foi o psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Carlos Salgado.

– O que me pareceu que ficou de consenso é de que é muito importante o poder público ampliar a disponibilidade de leito hospitalar – declara o psiquiatra.

Outra preocupação demonstrada pelos especialistas, e que deverá ser seguida pelo programa oficial, é a necessidade de tornar mais rígidas as regras para funcionamento das comunidades terapêuticas.

Um dos aspectos considerados mais importantes por Salgado é a disponibilidade de assistência médica 24 horas para os dependentes químicos, capazes de ministrar medicamentos e produzir diagnósticos. O anúncio ofici al do plano brasileiro contra o crack poderá ser realizado nesta ou na próxima semana
Fonte:Fórum Brasileiro de Segurança Pública/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)