Droga motiva 80% de agressões

M. S. sofreu calada durante 42 anos, tempo que levou para criar os filhos e encontrar nestes o apoio necessário para então se desfazer da relação violenta com o marido alcoólatra.

“Foram os filhos que interromperam a rotina de agressões físicas e psicológicas a que ela sempre foi submetida. Depois de crescidos, eles convenceram a mãe de que não era preciso aguentar tanto sofrimento”, conta Maria Cecília Esteves Rosa, diretora do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM).

Entre 1º de janeiro e 31 de agosto desse ano, o CRAM registrou 977 atendimentos nas áreas de serviço social, psicologia e assistência jurídica. O número é semelhante ao total de registros de todo o ano de 2006.

“Não estamos aqui para separar ninguém. Chamamos o agressor para conversar e entender o que motiva a agressão”, diz Maria Cecília.

“Explico a eles que crime não é só bater, mas rasgar documentos, proibir sair de casa ou impedir de cortar o cabelo. O desconhecimento é muito grande”.

Segundo ela, quando o agressor se conscientiza sobre o erro e recebe orientação adequada é possível deixar de recorrer à violência no convívio familiar.

“Ninguém nasce agressor. A violência sempre é motivada. Dos nossos atendidos, 80% são alcoólatras ou dependentes químicos”, afirma Maria Cecília.
Fonte:O Diário.com/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)