Saúde recebe projetos

Municípios e centros terapêuticos podem disputar recursos para criação de leitos.

Quatro meses após anunciar a criação de um plano nacional contra o crack, o governo definiu ontem as regras para que os municípios possam se candidatar aos 6.120 leitos para o tratamento de usuários no País. Entidades assistenciais e comunidades terapêuticas também podem pleitear acesso aos recursos.

O Ministério da Saúde não determinou quantos leitos serão destinados a cada Estado. Os editais para credenciamento serão publicados hoje no “Diário Oficial da União”. Segundo o secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde, Roberto Beltrame, a demora foi motivada pela negociação com as entidades especializadas no tratamento de viciados.

“As comunidades terapêuticas trabalham de formas diferentes, então tivemos de conversar para definir critérios de seleção para a distribuição das verbas”, diz Beltrame. Serão 2,5 mil vagas em hospitais gerais e 2,5 mil em comunidades terapêuticas. Cidades com mais de 200 mil habitantes poderão disputar um dos 50 centros de atenção psicossocial para dependentes de álcool e drogas.

Municípios com até 20 mil moradores terão direito a 225 núcleos de apoio à saúde da família, nos quais será feito o atendimento inicial dos dependentes químicos. Segundo o ministério, a distribuição das novas vagas em hospitais e centros especializados dependerá do interesse e dos projetos.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, as prefeituras não têm estrutura para arcar com as novas responsabilidades. “Como municípios vão fazer concurso para médicos, psiquiatras e enfermeiros para atender? Onde estão os recursos para as contratações?”.

De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não há motivo para os prefeitos se preocuparem. “As internações serão financiadas pelo governo e os recursos, repassados diretamente aos municípios”, assegura.
Fonte:A Notícia/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)