Lutando contra a dependência

O avanço do consumo de drogas ilícitas, em especial o crack, assusta o Brasil.

Até o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu recentemente a necessidade de conter o avanço do consumo do crack com medidas emergenciais no País. O primeiro passo, dentro dessa preocupação, foi dado com o lançamento de editais esta semana para que prefeituras criem mais de 6 mil leitos na rede pública de saúde para o tratamento de dependentes químicos.

Realmente, as drogas devem ser tratadas como uma grave doença no meio social e como tal devem merecer o devido respaldo de recursos provenientes do sistema de saúde público. Contudo, na ausência do apoio público, multiplicaram em todo o Brasil comunidades terapêuticas que acolhem esses usuários, desde os casos mais simples até os com maior grau de intoxicação. Em síntese, o tratamento dos dependentes químicos no país ficou quase que restrito a essas iniciativas independentes.

Devido a essa deficiência, o próprio município de Rondonópolis sofre com a ausência de locais especializados no tratamento de dependentes químicos, com foco na internação, voltados para casos mais graves de intoxicação.

Por tudo isso, o anúncio do governo federal em credenciar mais leitos para o tratamento de dependentes químicos se configura como um alívio para a saúde brasileira, especialmente vem ajudar na sobrevivência e manutenção das comunidades terapêuticas e dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps).

Agora o que tem de ser observado é como vai funcionar a internação de usuários de drogas em hospitais gerais. É preciso tomar precauções no sentido de que a integridade e tranquilidade dos demais pacientes não serão atingidas. Isso porque casos de alto grau de dependência com abstinência tendem a casos de agressividade e surtos por parte dos usuários, podendo colocar em risco o tratamento dos demais pacientes. Por isso, é necessário pensar na forma ideal de abrigar esses usuários em hospitais gerais, para não haver transtornos.

Apesar da ressalva dos leitos abertos em hospitais gerais, a iniciativa veio em boa hora. Vamos esperar agora para ver se trará os resultados almejados.
Fonte:A Tribuna Mato Grosso/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)