Fumantes não “tragam” a lei

Comerciantes de Porto Velho se reuniram no Ministério Público de Rondônia no início deste mês e assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) se comprometendo em tomar medidas que impeçam clientes de fumarem dentro dos estabelecimentos, conforme determina a Lei Estadual de número 1969/2008.

A medida foi anunciada pelos membros do MP, durante o lançamento da Campanha de Combate ao Fumo no último dia 21, na Capital. Na solenidade, proprietários de estabelecimentos de grande movimento da Capital aderiram ao acordo, garantindo que se adequariam à legislação estadual. O principal objetivo é o de evitar que garçons e frequentadores em geral tenham a saúde prejudicada com a fumaça, na condição de fumantes passivos.

O Diário apurou em vários bares e pubs da Capital como estão sendo implantadas as medidas para coibir o fumo nos recintos fechados de uso comum. E quais as opiniões de fumantes e não-fumantes.

Opiniões divergentes

Para Fernando Inácio, proprietário de uma lanchonete próxima a conhecida ‘calçada da fama’, que revende cigarros, o faturamento do estabelecimento continua igual mesmo com a proibição. Segundo o comerciante “a lei vai pegar aquele que sai para se divertir sem stress. Mas não tem acordo. É a lei não é?”

Lia Uchoa, pedagoga e fumante, acredita que “vale mais o direito de ir e vir, pois temos sim o direito de fumar. Não frequentaria um ambiente onde eu não pudesse fumar”

Fumante passivo

Questionada sobre a saúde do garçom que respira a fumaça do cigarro que ela fuma a pedagoga dispara: “Não prejudico a saúde dele, pois fumo pela lateral”.

O músico Rafael Altomar, não-fumante, diz que quando tem que ir a um lugar fechado, prefere que ninguém fume, mas “não é fator decisivo a escolha de ir ou não a um local onde as pessoas fumam, ou não”.

Roberto de Mello é garçom e trabalha em uma danceteria onde o fumo é proibido. Para este profissional a medida é muito boa, pois ela previne que ele adoeça por causa da fumaça. “Para quem não é fumante, como eu, é ótimo saber que não prejudicarei minha saúde”, destaca.

Faturamento

César Roberto, gerente de uma das danceterias visitadas pela equipe de reportagem do Diário, garantiu que o local está totalmente adequado à lei e para isso sinalizou toda a casa com placas. Questionado se sentiu diferença no faturamento devido à aplicação da medida no local ele declara: “Não, não tivemos baixa de faturamento. Pelo contrário. Só tivemos elogios, pois a gente sabe que existe o livre arbítrio e a gente respeita quem fuma e quem não fuma dando liberdade para aqueles fumantes irem para a área externa fumarem o seu cigarro e depois voltarem”.

Liberado

Em um pub bem frequentado da cidade, a equipe do Diário não teve permissão para entrar assim que foi identificado o tema da reportagem aos proprietários. Mas nem foi preciso entrar. De fora do ambiente era visível a fumaça que dominava a área interna.

Outro bar, com grande fluxo de pessoas atraídas pelas mesas de sinuca divididas em dois ambientes, não faz nenhuma objeção aos clientes, que fumam dentro do estabelecimento fechado. Não foram observadas placas de proibição e as pessoas fumavam à vontade. Cada um na sua e nicotina em todos os pulmões.
Fonte:Diário da Amazônia/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)