Vacina contra a cocaína entra em fase de testes para comprovar eficácia

Abordagem atua impedindo que a droga penetre no cérebro, reduzindo seus efeitos prazerosos nos dependentes.

Pesquisadores da Universidade de Cincinnati (UC), nos Estados Unidos, deram início a um ensaio clínico para avaliar uma vacina desenvolvida para tratar o vício da cocaína, impedindo que a droga penetre no cérebro e reduzindo seus efeitos prazerosos.

Os cientistas começaram a desenvolver a vacina contra a cocaína em 1997, depois da divulgação de um artigo na revista “Nature Medicine” pela pesquisadora Barbara Fox, sobre a hipótese de que a imunização de pessoas viciadas na droga provavelmente seria uma forma eficaz de tratar a doença.

“O tratamento psicossocial, como a terapia da conversa é o padrão atual de tratamento para pacientes dependentes de cocaína”, disse o professor do Departamento de psiquiatria e neurociência comportamental da UC, Eugene Somoza. “No momento não há terapias aprovadas para o vício em cocaína.”

O estudo vai testar a eficácia da vacina contra um placebo em voluntários saudáveis dependentes de cocaína, durante um período de 18 semanas, com um total de 300 pacientes, em seis locais diferentes. O investigador principal é Thomas Kosten, do Baylor College of Medicine, em Houston. Somoza é o investigador principal de Cincinnati.

Somoza observa que a imunoterapia tradicional tem como alvo as moléculas complexas, consideradas estrangeiras pelo sistema imunológico do corpo, que desenvolve anticorpos específicos contra eles. A cocaína é uma molécula simples, e só pode acionar o sistema imunológico se associada a uma molécula complexa. Quando isso acontece, o sistema produz anticorpos do mesmo jeito que faz quando as proteínas virais ou bacterianas entram no corpo.

Como resultado, quando os pacientes vacinados usam cocaína e suas moléculas atingem a corrente sanguínea, elas são imediatamente sequestradas pelos anticorpos, que as retém, evitando que entrem no cérebro onde produzirem os seus efeitos deletérios.

“O vício é dependente da rapidez com que a substância chega ao cérebro”, disse Somoza. “Então, por abrandar ou parar o processo, seria possível reduzir o efeito prazeroso da cocaína nos indivíduos.”
Fonte:Isaúde.net/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)