Crack é tratado como epidemia por entidades

O avanço do crack parece não ter limites e já é tratada por entidades assistenciais de Maringá como “epidemia”.

A avaliação consta de relatório da Comissão Especial de Estudos sobre uso de Drogas, que será apresentado formalmente, na Câmara de Maringá, na sessão de hoje.

No documento, a comissão composta pelos vereadores Heine Macieira (PP), Paulo Soni (PSB), Manoel Sobrinho (PC do B) e Carlos Eduardo Sabóia (PMN) sugere dez ações que podem ser tomadas pelo Legislativo de modo a minimizar os efeitos drásticos causados especialmente pelo crack na sociedade.

O estudo revela que o tempo médio de vida de um dependente químico, em 27% dos casos, varia de 5 a 10 anos. Em 18% dos casos, o usuário encontra a morte entre 3 e 5 anos de vício. “No crack, às vezes a pessoa morre ainda mais cedo, porque essa droga é tão devastadora quanto o câncer”, adverte Heine, que presidiu a comissão.

Com apoio de nove entidades que lidam diretamente com dependentes químicos, a comissão traçou o perfil do usuário de drogas em Maringá. A baixa escolaridade faz do jovem mais suscetível às drogas.

Do total de pessoas que buscam tratamento na cidade, 64% concluíram o ensino fundamental, 29% pararam os estudos no ensino médio e 7% concluíram o ensino superior. A maioria dos viciados é de brancos, com renda entre um e cinco salários mínimos.

A falta de uma estrutura familiar sólida é apontada como o principal facilitador para o consumo de drogas. “Todas as pessoas entrevistadas disseram que esse foi o motivo que as levou a procurar conforto nas drogas”, conta Heine, acrescentando ter se deparado com verdadeiros absurdos causados pelo vício.

“Uma criança de 10 anos procurou a ajuda de uma entidade dizendo que não queria voltar para casa. Questionada sobre o motivo de ter fugido, ela contou que o pai e a mãe obrigavam ela a usar crack com eles.”

O relatório traz em suas considerações finais declarações alarmantes. “Não sendo pessimista, é uma epidemia, problema de saúde pública. Os leitos dos hospitais estão lotados por uso indireto e direto das drogas”, comentou a presidente do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas, Ângela Cecília Resende.

“O crack está num preço acessível para os viciados e tem grande distribuição. Se a pessoa tem conduta para o crime fará o uso de armas para conseguir o que precisa. O ciclo vicioso está armado”, alerta o presidente do Conselho de Segurança de Maringá (Conseg), Antonio Tadeu Rodrigues.

Pelo teor do relatório, não há solução no curto e médio prazo. Para a Comissão Especial de Estudos, a situação só pode ser controlada com investimento em educação e com campanhas permanentes de conscientização de crianças e adolescentes.

“A escola em tempo integral seria a principal medida para afastar as crianças das drogas. Maringá, hoje, possui apenas três escolas em tempo integral. O ideal é que todas tivessem o contraturno”, diz Heine.

Para a comissão, a repressão com aumento do efetivo policial e a ampliação de vagas em clínicas especializadas não bastam. É preciso investir em prevenção.

Propostas do legislativo

1 Criação de um programa intermunicipal de combate às drogas.

2 Mensagem de combate às drogas em todos o materiais impressos no município e outdoors.

3 Pelo menos duas campanhas anuais de combate às drogas realizadas pelo Executivo.

4 Entrega de cartilha educativa sobre as drogas, com kit escolar aos estudantes da rede municipal de ensino.

5 A possibilidade de inserção do tema combate às drogas na carga horária das aulas em atrações culturais.

6 Instalação de comunicação visual com mensagem de combate às drogas em atrações culturais.

7 Realização do concurso, entre estudantes, para a criação de frase e mascote paras as campanhas antidrogas, com premiação de R$ 3 mil para o ganhador.

8 Tornar obrigatória a instalação de estandes com orientação e entrega de material de combate às drogas em feiras, como a Expoingá e Festa da Canção.

9 Autorizar o Executivo a fazer uma clínica exclusiva para o tratamento de dependentes químicos.

10 Realização de Semana de Combate às Drogas na Câmara.
Fonte:O Diário.com/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)