Uso de estimulantes e medicamentos é crescente

Relatório produzido pelo escritório da ONU mostra um crescimento do uso de estimulantes e de medicamentos de prescrição.

O representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Bo Mathiasen, destacou esta semana que o perfil do uso de drogas está mudando no mundo devido ao surgimento de novas drogas. Relatório produzido pelo escritório da ONU mostra um crescimento do uso de estimulantes e de medicamentos de prescrição.

Outra conclusão é que o número de usuários de drogas sintéticas vem aumentando. Estima-se que entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas no mundo consumam estimulantes do tipo anfetamina, o que deverá superar o número somado de usuários de ópio e cocaína. De acordo com o relatório, divulgado hoje, este mercado é mais difícil de ser controlado, segundo o representante das Nações Unidas, porque a rota do tráfico é muito curta. Isso porque a produção ocorre perto dos principais mercados de consumo.

O número de laboratórios clandestinos das drogas sintéticas aumentou 20% em 2008, inclusive em países onde esses laboratórios nunca haviam sido detectados antes. O relatório aponta, entretanto, que há indícios de que a fabricação esteja se expandindo para novas regiões como a América Latina, com fábricas ilícitas descobertas no Brasil, na Argentina, Guatemala, no México e no Suriname.

No Brasil, ainda é pequeno o consumo das drogas sintéticas, apesar de se registrar no país uma prevalência do uso de anfetaminas. Em 2005, 0,7% da população brasileira consumia esse tipo de droga, índice considerado alto se comparado aos dos demais países do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela). Já o consumo nacional de ecstasy é menor, de 0,2%. No mesmo ano, a Colômbia e a Argentina registraram consumo de ecstasy de 0,3% e 0,5%, respectivamente.

Segundo o relatório, os registros sobre produção da droga são poucos. Em 2008, foi descoberto o primeiro laboratório clandestino e, em 2009, houve o desmantelamento de um segundo laboratório, de tamanho maior e mais sofisticado, onde foram apreendidos 30 mil comprimidos de ecstasy. “Em muitos países, existe uma tendência a aumentar o consumo. Grande parte dessas drogas não é produzida na América do Sul, mas na Europa. A produção no Brasil é pequena, mas deve ser monitorada”, destacou Mathiasen.

O coordenador-geral de Repressão de Entorpecentes da Polícia Federal (PF), Oslain Santana, criticou o relatório, dizendo que o documento reflete somente a visão europeia e a norte-americana.
Fonte:O Diário de Teresópolis/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)