Uma pedra no meio do caminho

Atualmente, o crack é considerado um problema de saúde pública e social das cidades brasileiras, e os municípios da região Sul Fluminense também se enquadram nesta situação.

Durante todo o ano passado foram apreendidos 4,76 quilos da droga no sul do estado; o número já seria preocupante, e se mostra ainda mais alarmante este ano: até setembro, a Polícia Militar registrou a apreensão de 4,715 quilos.

De acordo com o tenente-coronel Licínio Fróes, no comando do 28º BPM durante o período, o aumento do consumo de crack é uma realidade e está diretamente relacionado ao crescimento da violência. Para o militar, a ação de repressão por parte da polícia é necessária e tem produzido resultados, mas posturas preventivas devem ser adotadas e valorizadas no combate ao problema.

– A polícia tem trabalhado para coibir o tráfico de entorpecentes, mas precisamos implementar ações para evitar que esse número continue a aumentar. Para tanto o poder público, as famílias, todas as estruturas sociais devem estar cientes do seu papel nesta importante empreitada – destacou Fróes.

Com exceção dos registros do mês de maio deste ano, quando a quantidade apreendida foi muito menor, e do mês de janeiro – praticamente igual – todas as ações policiais no decorrer de 2010 resultaram no recolhimento de, no mínimo, o dobro da quantidade de drogas em comparação ao ano passado.

Segundo Licínio Fróes, a atuação mais efetiva da polícia – no sentido de coibir o comércio e uso da drogas – tem sido facilitada pelo Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública) que, através da utilização do recurso de imagens, tem permitido verificar as ações ilegais no momento em que elas estão acontecendo.

– Com a tecnologia implantada em vários pontos da cidade, visualizamos a pessoa que está comercializando o produto e contatamos a unidade que estiver mais próxima do local para efetuar a ocorrência – salientou o tenente-coronel.

Ciosp receberá novas câmeras

Segundo informou o prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (PMDB), outras dez câmeras foram adquiridas para compor o Centro Integrado e ajudar na vigilância de outros pontos da cidade.

– O Ciosp foi uma conquista da população. Através desse sistema podemos monitorar vários pontos da cidade e tentar coibir a ocorrência de ações criminosas. Por isso, teremos agora 66 câmeras após a aquisição do último lote – afirmou o prefeito.

O investimento em segurança também prevê mudanças na entrada e na saída da cidade, para que desses locais também seja possível acompanhar o fluxo de pessoas. Dentro do calendário de ações está a inauguração da cabine de polícia ao lado do Colégio João XXIII, no Retiro.

– Compreendemos que a questão da segurança da população de Volta Redonda não é de responsabilidade apenas do poder estadual, o município também tem implementado ações no sentido de coibir a criminalidade, inclusive no combate ao tráfico de drogas – destacou Neto.

Ações de conscientização

O coordenador do Movimento Resgate da Paz, padre Juarez Sampaio, disse que é importante reconhecer o trabalho de repressão feito contra o comércio e o uso de drogas. O coordenador salienta o que tem sido realizado, neste sentido, por diversas instituições.

– Igrejas de diferentes denominações têm tido a iniciativa de atuar junto à comunidade com o objetivo de conscientizar a população, principalmente os mais jovens sobre os efeitos devastadores do crack – destacou Juarez.

Para o líder religioso, o aumento do consumo de drogas na região está diretamente relacionado ao índice de criminalidade no Sul Fluminense, que registra cada vez mais atos de violência.

O tenente-coronel Licínio Fróes salienta que o fato do crack ser uma droga comercializada a um valor inferior que as demais substâncias tóxicas acaba aumentando o apelo desta para os usuários.

– O baixo custo acaba por facilitar a venda. É importante ressaltar os poderes devastadores dessa droga, que vicia rápido e tende em um curto espaço de tempo a levar à morte – afirmou o militar.

Investimento

A cidade de Volta Redonda conta desde o mês de agosto com mais leitos destinados ao atendimento de pessoas com dependência química. De acordo com a coordenadora da Comissão Municipal de Prevenção ao Uso de Álcool e Outras Drogas, Glória Amorim, o número de leitos no Cais (Centro de Atenção Intermediária em Saúde) Aterrado com essa finalidade passou de cinco para 16.

Segundo Glória, o projeto Volta Redonda pela Vida tem trabalhado com o mote “socializando informações construindo redes”, que tem como objetivo reunir as lideranças dos bairros e a comunidade para que todos estejam cientes dos equipamentos sociais oferecidos, e para que a população tenha a oportunidade de sugerir o que pode ser feito para trazer mais qualidade de vida.

– Primeiramente incentivamos os jovens a participarem das atividades oferecidas pelas secretárias nos bairros. Entendemos que a participação nesses programas contribui para a formação saudável das crianças e jovens da cidade – destacou Glória.
Fonte:Diário do Vale/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)