Impulsividade, saúde emocional e drogas

Por Luciana Yukiko Ambrósio
No atendimento a famílias de pacientes dependentes químicos, ouço muito os pais dizerem que seus filhos são peritos em irritá-los em função de seus comportamentos agitados, falta de paciência de esperar sua vez, interromper ou interferir nas atividades dos outros, e quando chamados sua atenção acabam agindo com muita agressividade.

A falta de controle faz com que as pessoas digam ou tenham atitudes que as colocam em situações de risco ou em “enrascadas”.

Tomando decisões mal pensadas por desejar uma solução imediata, acabam agindo por impulso, sem pensar. A impulsividade pode também levar a condutas problemáticas como, roubar, gastar em excesso, mentir (dizer a primeira coisa que vier a cabeça), ter comportamentos agressivos, e usar drogas.

Segundo Anne Maria Möeller, pesquisadora do departamento de psiquiatria da Alemanha, referência internacional no assunto, a impulsividade é a predisposição a reações rápidas e não planejadas a estímulos internos ou externos, sem levar em consideração as consequências negativas dessas reações.

A presença da impulsividade é um fator de risco para iniciação do uso de drogas. Vários estudos medindo comportamentos impulsivos em crianças mostram um aumento de risco de problemas com substancias na idade adulta e um início precoce do uso.

A impulsividade também é uma das características do TDAH (déficit de atenção e hiperatividade), transtorno que também pode ser um determinante para a iniciação do uso de substâncias químicas.

Com minha experiência no tratamento de dependência química, afirmo que a grande maioria dos pacientes sofre com as manifestações impulsivas, e que as mesmas foram fatores determinantes para a iniciação do uso de substâncias psicoativas. Por outro lado, tais manifestações são responsáveis por impedir que o paciente se mantenha em abstinência.

Embora a impulsividade seja difícil de ser modificada, há tratamentos que podem ser realizados por profissionais que orientam e conduzem técnicas terapêuticas correspondentes a cada caso.

Uma delas é a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), com sessões estruturadas, facilitando o entendimento do paciente de seus comportamentos e pensamentos disfuncionais. Esta técnica tem nos mostrado a evolução e a eficácia nos casos.

Assim, tratar a impulsividade, além de permitir o controle de algo que parece estar acima de nosso poder, pode prevenir males maiores, como a dependência de drogas e outros transtornos.
A autora é psicóloga, atua no tratamento ambulatorial da dependência química na Clínica Terapêutica Viva
Fonte:Assessoria de Imprensa Grupo Viva