“Depois que começa, não tem mais fim”

Daniel conseguiu se abster do crack por três meses, quando frequentou uma igreja. Teve recaída e não largou mais o vício.

O jovem procurou atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), pois acredita que sozinho falhará na luta contra o vício. Ele aguarda vaga em uma clínica de reabilitação. Quer ser internado.

– Não aconselho ninguém a entrar nessa. Depois que começa, não tem mais fim – diz o rapaz.

A coordenadora do Caps de Gaspar, Rosa Maria Pereira, explica que aproximadamente 60 pessoas procuram o lugar por mês em busca de tratamento. Alguns buscam o isolamento como alternativa para fugir das ameaças de morte. Os dependentes químicos passam todos por uma avaliação e, se necessário, são encaminhados para uma das clínicas conveniadas. Há uma lista de espera para internações.

– A maioria dos usuários que nos procura tem problemas com o crack. É assustadora a velocidade com que a droga acaba com a vida da pessoa – diz.

Somente 20% dos viciados conseguem livrar-se da droga

Segundo Rosa, só 20% dos viciados conseguem livrar-se da droga.

A psicóloga do Centro de Recuperação Nova Esperança (Cerene), de Blumenau, Sirlene Andrade Zermiani, explica que o tratamento só é eficaz se o viciado estiver disposto. O primeiro passo é reconhecer o problema.

– É possível sair das drogas. Nem sempre acontece na primeira internação, é uma mudança e isso exige esforço – reforça.

A psicóloga diz que o tratamento é o começo da recuperação, mas não o fim do problema. Sem o apoio da família, é maior a probabilidade de recaída.
Fonte:Jornal de Santa Catarina/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)