Carta à Folha de São Paulo – Debate da “Legalização”

Prezado Ombudsman e Jornalistas da “Folha de S.Paulo”

Estive presente ao debate sobre a “ Legalização da Maconha” em 21 de outubro de 2010, no auditório do jornal “Folha de S.Paulo”.

Fiquei muito satisfeita com a iniciativa de se abrir espaço para uma discussão tão importante, mas confesso que, inicialmente, quando soube que o mediador seria o Sr. Gilberto Dimenstein, desacreditei na seriedade do debate, já que é pública a posição desse jornalista a favor da legalização dessa substância.

Porém, deixei de lado meus pressupostos e confiei nos possíveis critérios desse renomado jornal.

Mas, infelizmente, eu estava absolutamente certa na minha descrença. O mediador demonstrou parcialidade e inabilidade na condução do debate. A inadequação iniciou-se com a falta de organização, critérios e estrutura do evento: número desproporcional de convidados nas suas posições, falta de regras quanto ao tempo para arguição, réplicas, tréplicas e monitoramento. O mais lamentável ainda foi a postura irônica e descabida do Sr. Dimenstein frente às colocações dos convidados Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira e Sr.Marcos Susskind.
Tamanha foi minha indignação que, ao final do debate, juntamente com outras pessoas, fui ao encontro do mediador manifestar nossa decepção quanto à falta de respeito e profissionalismo.

Para a nossa surpresa, esse senhor justificou sua postura “risonha e sarcástica” como estratégia para tornar o clima menos tenso e com mais humor.

Caros, Mediação exige LIDERANÇA e NEUTRALIDADE e não, HUMOR!Não estávamos participando de um programa humorístico como sugeriu o jornalista. Confiávamos no compromisso ético desse profissional.

O objetivo de uma mediação é auxiliar a encontrar, consensualmente, soluções satisfatórias para os impasses e conflitos referentes à temática proposta. O mediador deve facilitar o diálogo, possibilitando que os envolvidos discutam sobre as diferentes visões dos fatos.

Esse objetivo só é atingido se houver a neutralidade e a liderança do mediador. Aliás, politicamente correto, é que a escolha desse mediador seja feita por ambas as partes. O vídeo disponibilizado pela “Folha de S.Paulo” ilustrará a incompetência da mediação desse debate, que sugiro seja assistido pelo Dr. Ronaldo Laranjeira e Sr. Marcos Susskind, pois estavam sentados ao lado do Sr. Gilberto Dimenstein e não puderam ver as manifestações corporais que incitavam a platéia.

Mesmo sabendo que o renomado jornalista é membro do Conselho Editorial do jornal “Folha de S. Paulo, peço como cidadã, em nome da ética e da responsabilidade social, que repensem no formato e na metodologia dos próximos eventos e debates, e caso esse senhor queira mediar outros debates, que se informe primeiro na vasta literatura sobre a postura adequada de um verdadeiro mediador.
Maria de Fátima Rato Padim
(Psicóloga)
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas