Congresso de Psiquiatria discute desafios no tratamento do crack

Diretoce
Os efeitos e o tratamento da dependência química foi um dos temas debatidos ontem, sábado (30/10) , no último dia do 28º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que reuniu 5.200 profissionais da área da saúde no Centro de Convenções.

Apresentando a pesquisa “A farmacologia do crack”, o médico especialista em dependência química, Tadeu Lemos, tratou dos efeitos que o crack traz ao comportamento e ao organismo. O professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) explica que o crack, além da cocaína, apresenta substâncias tóxicas que aumentam os efeitos prejudiciais, especialmente nos aparelhos cardiovascular e neurológico, o que explica comportamentos de paranoia e hiperatividade, por exemplo.

“A toxicidade da cocaína é acentuada pela queima do crack. Por ser utilizado por via pulmonar, tem maior potencial e maior gravidade na alteração comportamental”.

Ele cita ainda o uso de latas de alumínio pelos usuários como outra via de intoxicação, uma vez que o metal também é liberado.

Apesar de reconhecer o uso do crack como grave problema de saúde pública, Tadeu lembra que a dependência de maior prevalência ainda é o alcoolismo.

“O problema do crack trouxe à tona a questão de se tratar a dependência de uma forma geral”, avalia.

Tratamento

De acordo com o professor, não existem medicamentos específicos para a dependência, apenas para tratar sintomas como a síndrome de abstinência e fissura pelo uso.

“Não temos local adequado para tratamento. Houve fechamento de leitos psiquiátricos, e esses pacientes apresentam padrão comportamental que não se adequa a uma enfermaria comum”, pontua.

Tadeu defende que o tratamento de usuários de crack deve ter a abstinência como meta.

“Ainda não vi estratégia de redução de danos para o crack, porque mesmo com o uso em quantidades mínimas, ele ainda causa riscos”, argumenta o médico.
Fonte: O Povo
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas