Fumantes estão mais sujeitas à osteoporose

Estudos clínicos já levantavam suspeitas de que mulheres fumantes com bronquite crônica ou enfisema pulmonar estavam mais sujeitas a fraturas e osteoporose em função da perda de qualidade dos ossos. Pela primeira vez, essa relação foi comprovada cientificamente, na pesquisa de doutorado realizada pela endocrinologista Carolina Aguiar Moreira Kulak, do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas (SEMPR) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“Quanto maior é a exposição ao cigarro, mais deteriorados ficam os ossos”, diz a médica, que pela primeira vez submeteu pacientes com Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC), que em 90% dos casos são causados pelo tabagismo, a exame de biópsia óssea. A conclusão foi de que essas pacientes apresentavam estrutura óssea pior do que mulheres saudáveis, sendo que aquelas que fumavam há mais tempo tinham os ossos mais deteriorados.

A pesquisa começou há quatro anos, com pacientes do HC com doença pulmonar, fumantes e na menopausa. Elas tiveram um fragmento do osso do quadril colhido. A primeira parte da pesquisa, de preparo do material, foi feita no Brasil. Dois anos depois, viajou para os Estados Unidos para concluir o doutorado, onde aprendeu duas técnicas usadas para avaliar a qualidade dos ossos.

Os fragmentos ósseos foram submetidos a dois exames, de microtomografia e de histomorfometria, que consistiu em fazer um corte no fragmento do osso e verificar em microscópio como vem se dando a formação óssea. “Foi aí que tivemos um resultado inesperado. Em relação à formação do osso, ficou comprovado que essas mulheres formam menos osso”, diz, ressaltando que o processo é diferente da osteoporose que ocorre na idade da menopausa, quando a falta do hormônio estrogênio leva à perda óssea.

A intenção dela, agora, é conseguir apoio junto a órgãos de fomento à pesquisa para adquirir equipamentos e realizar essas duas técnicas no HC.
Autor: Maigue Gueths
OBID Fonte: Folha de Londrina