Idade entre jovens usuários diminui

Diário de Cuiabá
O Centro de Atenção Psicossocial Adolescer (Caps AD) atende 60 crianças e adolescentes entre 12 a 18 anos por mês com algum tipo de dependência química em Cuiabá.

A maioria é usuária de pasta-base, maconha e cocaína. “Quase todas fazem uso concomitante, inclusive de tabaco”, informou a coordenadora do Caps, Mara Tondin, ontem, durante o lançamento do Plano Municipal de Políticas sobre Drogas. Situação ainda mais dramática, conforme Tondin, é que o Caps tem recebido crianças com até 9 anos e, do total de atendimentos, apenas 20% aderem ao tratamento. A maioria integra as classes média e baixa.

A explicação para este percentual baixo de recuperação ela atribuiu à baixa participação das famílias no processo e da introdução dos dependentes à escola ou outras atividades sociais. “E principalmente porque hoje as drogas possuem um potencial maior de destruição. São mais pesadas e tem um poder mais forte de comprometimento físico e psicológico”, comentou.

No Caps, que tem capacidade para 50 adolescentes, é ofertada assistência ambulatorial, multidisciplinar, oficina terapêutica, entre outros. A ampliação ou criação de unidades que ofereçam atendimento 24 horas e de internação para desintoxicação é uma das necessidades da Capital.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas, Alberto Amaral Marques, em 2006, um estudo realizado pelo governo federal mostrou que, de cada três estudantes, pelo menos um já havia experimentado algum tipo de droga, especialmente o álcool. “Sabe-se que em Cuiabá o consumo de drogas vem aumentando progressivamente e de maneira vertiginosa. O problema está se alastrando e, para combatê-lo, é preciso unir esforços, buscar medidas sociais de proteção, tratamento e recuperação”, disse.

Para ele, se medidas urgentes não forem tomadas a situação na Capital poderá ficar igual ao do Rio de Janeiro. “Se não existir combate efetivo ao tráfico, se o Estado não investir em segurança pública, no social, não forem implantadas medidas de proteção às famílias, de geração de emprego e de educação, vai ficar igual ao Rio de Janeiro e não está muito longe disso”, disse, lembrando épocas em que para entrar em alguns bairros da cidade era preciso pagar pedágio.

É com este objetivo, conforme Alberto Marques, que foi lançado o plano. “É um ponta-pé inicial. Estamos atrasados, mas ainda há tempo de salvar vidas”, disse. O plano tem como eixos prevenção, repressão, tratamento e redução de danos.

No lançamento do plano, estiveram presentes crianças e adolescentes do projeto “Tocando com Bolinha”, patrocinado pela Petrobras e que é desenvolvido em cinco bairros da cidade: Tancredo Neves, Florianópolis, Renascer, Praeiro e 1º de Março. Ao todo, são 225 meninos e meninas atendidos e que desenvolvem atividades musicais. “Os pais dão depoimentos afirmando que as atividades têm afastado os filhos das ruas”, comentou a coordenadora Tatiane Castro de Andrade.

Com 13 anos, Railson Manuel de Pinho destacou a importância da iniciativa. “É melhor ficar no projeto do que na rua, porque as drogas podem levar para o mau caminho, destruir a vida de uma criança”, resumiu.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)