Vencendo o alcoolismo e resgatando a vida

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Milhares de pessoas veem na bebida uma substância que causa prazer e ajuda a relaxar qualquer tensão e esse pensamento muitas vezes leva a goles frequentes, que nada tem a ver com “o bebo socialmente”.

Ao chegar nesse estágio é preciso procurar ajuda, mas, infelizmente, a procura é pouca diante do número de pessoas que possuem problemas com o alcoolismo. Em Ribeirão Pires, por exemplo, cerca de 50 pessoas participam do grupo Alcoólicos Anônimos. Os jovens, que estão cada vez mais se envolvendo com as bebidas, são pouquíssimos: apenas quatro e a permanência no grupo segue o mesmo padrão. “Os jovens começam a frequentar, ficam dois, três meses, aí começam a fazer outras atividades e não voltam mais”, fala Pedro, 58 anos, que acompanha o grupo do A.A. de Ribeirão Pires desde a sua fundação, em 17 de setembro de 1992, quando já participava do trabalho em outras cidades e foi convidado a tomar da conta da sede do município.

No A.A., são realizadas reuniões regulares, nas quais os membros relatam entre si suas experiências, troca que os ajuda a vencer o problema. Para participar, não é preciso pagar nada, nem agendar a visita, é só chegar, sem qualquer tipo de vergonha ou preconceito, peças chaves para a recuperação. “A pessoa às vezes tem muito preconceito, não sabe o que é o A.A. e faz um julgamento. Não ter medo e nem preconceito é fundamental, porque esses são os maiores empecilhos para frequentar o grupo”, fala Bernardo, 69 anos, há 10 no A.A.

A compreensão e ajuda da família também é de extrema importância. “Uma das resistências para frequentar o grupo é a família. Ela não admite que o alcoólico tem o problema. Graças à divulgação da imprensa em algumas reportagens sobre o A.A., famílias têm nos procurado mais”, conta Pedro.

A interação entre os membros do A.A. causam efeitos que remédio nenhum consegue causar: resgata a autoestima, a vida, sem contraindicação nenhuma e muito menos efeito colateral. “Aprendi a me enxergar diferente. Achava que eu era um monte de coisa ruim, o que não era verdade. O A.A. me ajudou a entrar em contato com os meus defeitos, poder reparar isso e ainda descobri que tenho um monte de qualidades”, relata Edmilson, 43 anos, há 10 no A.A.

“Quando a pessoa se torna alcoólatra, as primeiras coisas que ela perde são a dignidade e o respeito. Ninguém confia nela. O A.A. mudou totalmente a minha vida”, diz Pedro.

Serviço – As reuniões do A.A. de Ribeirão Pires acontecem na Rua Dr. Felício Laurito, nº. 61, salas 4 e 5, Centro, de terça a sábado, às 19h30, nos feriados às 19h e às 19h30 e aos domingos às 10h e 18h.

Informações podem ser obtidas na Central 24 horas pelo telefone 3315-9333. Palestras em escolas sobre os efeitos e estragos provocados pelo álcool podem ser solicitadas também por este telefone.

Família: a base de tudo

A psicóloga Juliett Camelo Freitas explica como o apoio da família no combate ao alcoolismo é fundamental para a recuperação psicológica do indivíduo. Confira.

Mais Notícias – É comum a procura de dependentes do álcool por psicólogos, ou são os familiares que procuram mais a ajuda do profissional?

Juliett – Em sua maioria são os familiares que procuram ajuda profissional de início, pois para o “alcoólatra” é difícil aceitar essa condição, pois muitos não acreditam que isso prejudica sua vida e suas relações interpessoais. Quando estes chegam a procurar o tratamento é porque muitas vezes já perderam família, trabalho e status diante da sociedade, e assim procuram ajuda para si.

Mais Notícias – Você acha que há resistência de um dependente de álcool em procurar ajuda com um psicólogo. Por quê? À que você atribui a resistência?

Juliett – A resistência ao tratamento psicológico ou qualquer outro é uma presença constante em qualquer tipo de procedimento que envolva alterações na vida das pessoas. Ocorre muito um mecanismo de defesa chamado Negação, onde a maioria dos dependentes de álcool negam a sua própria condição, ou não acreditam na gravidade do problema, ou, ainda, não acreditam que o tratamento possa resolver o seu problema, o que faz com que a procura ao tratamento seja adiado.

Mais Notícias – Quais as melhores maneiras de tratar esse problema?

Juliett – Os desafios no que se refere ao tratamento de alcoolistas são grandes e há todo um espectro de alternativas de tratamento, uma vez que não existe uma técnica terapêutica específica que seja eficaz para todos os casos, daí a necessidade de adequar determinado esquema terapêutico para cada paciente. Uma das alternativas é estabelecer um tratamento baseado e alicerçado em técnicas de prevenção de recaídas e com um foco centrado nas relações do indivíduo com a bebida alcoólica.

Na maioria das vezes faz-se necessário um tratamento Psicoterapêutico e Psiquiátrico.

Os casos devem ser considerados individualmente, deve-se indicar o tratamento mais apropriado para cada paciente de acordo com o grau de dependência e do ponto de desenvolvimento da doença em que se encontra a pessoa.

Mais Notícias – E a família, como deve agir?

Juliett – Inicialmente é importante que os membros da família se disponham a procurar ajuda, pois isto será relevante para um bom encaminhamento, porém nem sempre isso é possível. Reconhecer que existe um problema, ter uma atitude e conversar com o dependente é algo que precisa ser feito de forma constante ainda que se torne muitas vezes “cansativo” para os membros da família.

É importante lembrar que a pessoa que está com problemas de álcool ou qualquer outra droga é portadora de uma doença e não de uma deficiência moral, enfim, mostrar uma real preocupação com o indivíduo, são os passos iniciais.

Mais Notícias – Como o psicólogo trabalha a questão da reinserção de um ex-alcoólatra na sociedade, já que pelos problemas que essa pessoa enfrentou é mais difícil para ela voltar a fazer as coisas que fazia antes?

Juliett – É importante lembrar que reintegração à sociedade é fundamental para a recuperação psicológica do indivíduo, e isso se dá por meio do reconhecimento e da retomada do senso de responsabilidade, da volta da harmonia familiar e da melhora do bem-estar físico e mental e da autoestima do individuo que com o tratamento adquire confiança em si, porém, reconhecendo seus limites. A presença da família permeia todo o processo de tratamento e está presente de forma muito significativa para a etapa da reinserção social. A primeira fase dessa nova etapa, sem dúvida, é o retorno ao meio familiar. A forma como ele é recebido e como as relações se restabelecem (entre ele e seus familiares) é de fundamental importância para a sua segurança emocional e social, propiciando-lhe condições para manter-se longe do álcool e como dito anteriormente adquirir confiança em si.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)